Labirinto será lançado em livro!

bussola_labirinto Adoro quando o destino dá uma de engraçadinho. :-) Um dia depois de indicar para a Débora, uma amiga em período sabático em Nova York (a dona do Papetes pelo Mundo), sobre a projeção no Prospect Park de “Labirinto”, o clássico de Jim Henson com o David Bowie sendo Jareth, o rei dos duendes, enquanto o mundo caia sobre ele, eis que recebo a newsletter da Darkside dizendo que eles vão publicar o livro de A.C.H. Smith!! Não podia ser em um momento melhor! Não só o filme está fazendo 30 anos, como também passamos pela tristeza de perder Bowie meses atrás.

“Labirinto”, o livro, é uma novelização da história do cinema, feita em parceria entre Smith e Henson. A edição, que estará disponível em 31 de agosto, vai apresentar pela primeira vez as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou na produção, e trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas de um diário com detalhes da concepção inicial das ideias para o filme.

E pensar que procurei tanto por esse livro na Amazon gringa há uns tempos… Que bom que chegou aqui!

 


Livro Perdido – Os Segredos de Wintercraft

Sabe aquela sensação de quando você está ouvindo qualquer música porcaria na rádio e muda pra um Frank Sinatra? Mesmo quem não manja de música percebe claramente a diferença entre alguma coisa mais ou menos e um material acima da média, ainda que possa não ser seu gênero preferido. Ler “Livro Perdido” é semelhante a isso: um texto mais bem escrito que o comum, ainda que numa trama que não traga assim uma supernovidade literária.

bussola_segredoswintercraft1 Primeiro volume da série “Os Segreds de Wintercraft”, a trama apresenta os últimos sobreviventes da família Winter – a garota Kate e seu tio, Artemis. Eles moram na ilha de Albion, num tempo em que a magia ainda é bastante forte (apesar de não ficar claro, por enquanto, se é um futuro apocalíptico ou um passado bizarro). E isso é algo que a protagonista sabe na pele: seus pais foram levados muitos anos antes pelos soldados comandados pelo Conselho Superior, a entidade que governa a ilha, sempre em guerra com o continente.

Kate ainda não sabe, mas é uma integrante dos Dotados, grupo de pessoas que consegue enxergar no véu que existe entre a vida e a morte. Sua família faz parte de uma linhagem poderosa que pode dominar o Wintercraft, um livro sagrado que traz o conhecimento necessário para que quem estiver de sua posse seja quase invencível. E é a maligna Da’Ru quem está com ele agora, depois de profanar um túmulo dos Winter para isso.

Sob as ordens dela, mas tentando se livrar da maldição em que a feiticeira o colocou, Silas Dane é um implacável comandante dos exércitos do Conselho Superior que vê em Kate a chance de ser um homem livre novamente. É ele quem, por motivos próprios, acaba acompanhando a trajetória de Kate rumo ao autoconhecimento necessário para salvar a si própria, seu tio, seu grande amigo Edgar, e talvez, todos os que vivem em Albion.

O texto detalhado de Burtenshaw é capaz de levar o leitor até Fume, a cidade que já foi um cemitério e onde a trama se desenrola. São também as palavras dela que iniciam quem se aventura pelas páginas na magia do Wintercraft e em tudo o que Karen vai precisar aprender para lidar e sobreviver com seus recém descobertos poderes. E é uma delícia imaginar na sua frente as rodas dos espíritos que direcionam os visitantes da Cidade Inferior. Isso sem contar a inversão que a autora faz no caráter de um personagem, lembrando a todo mundo que as pessoas não são necessariamente aquilo que aparentam ser.

A série já tem seus outros dois livros publicados: Guardiões Sombrios e Véu da Morte, que também saíram pela Rocco.

 

Livro Perdido – Os Segredos de Wintercraft
Jenna Burtenshaw
296 páginas
Rocco


Espetinho de Gafanhoto, Nem Pensar!

Quando me interessei pelo título deste livro, há bastante tempo, na verdade imaginava que poderia entrar na lista de títulos de turismo interessantes para jovens. E não é que não possa – na verdade as informações sobre a cultura asiática que aparecem no texto são bem legais. O problema, pra mim, é que a história não chega nem a gerar uma narrativa comum, nem é um “Isto é Roma” da vida.

bussola_espetinhodegafanhoto Júlia e Luísa são primas, na faixa de uns 12, 14 anos, aparentemente. As férias da escola chegam e a avó Rosa, chamada de “senhorinha prafrentex”, as convida para irem, as três juntas, viajar para a Tailândia e o Vietnã. O livro é um diário de viagem das meninas sobre o que fazem dia a dia no passeio.

Comecemos pelos pontos positivos: aprendi mais sobre os dois países com esse livro do que em qualquer outro informativo de turismo com o qual já tive contato. No quesito quantidade e qualidade de informação, a nota é dez. Também gostei muito do traço que define as personagens. Gostei bastante do cuidado na hora de definir as roupas das meninas: parece que as estampas estão por baixo do desenho, como se ele fosse vazado, é realmente bacana.

Mas aí começam os problemas. Como disse antes, a história não se enquadra nem como um “romance”, nem como um livro de curiosidades sobre os locais. Se a trama é um diário, porque começar falando sobre a aula de surfe das meninas, quando teoricamente elas nem tinham o caderninho em branco ainda? Pra quê saber que uma delas é filha de pais separados se isso não faz diferença na rotina das viajantes?

Duas outras coisas me incomodaram bastante. A primeira é que, com a quantidade de informações legais sobre a Ásia, por qual motivo não colocar aqui e ali fotos dos lugares? Se a ideia da publicação é mostrar um pouco desse mundo tão diferente, acho que imagens reais de alguns locais seriam muito bem-vindas. A segunda, e talvez seja chatice minha, devo confessar, é que nunca na vida havia lido um livro em que ficasse tão nítido que quem escreveu era do Rio de Janeiro. São expressões, comparações… Mas da forma que aparecem, me senti mais uma intrusa do que “convidada a conhecer as diferenças entre o meu estado e o RJ”. E nem vou falar da questão de que a conta sobre a idade da personagem Rosa não me faz considerá-la uma “vovó”.

“O Hambúrguer Era de Carneiro – Diário de uma Viagem à Índia” é da mesma autora, com ilustrações de Mariana Massarani.

Enfim, boa ideia, com desenrolar questionável.

Espetinho de Gafanhoto, Nem Pensar!
Daniela Chindler, com ilustrações de Suppa
Rocco Jovens leitores
104 páginas


A Casa da Árvore Mágica vai virar filme

A produtora de cinema Lionsgate adquiriu os direitos da série “A Casa da Árvore Mágica” para transformar os livros de Mary Pope Osborne em filmes. Material tem bastante, né? São 54 livros na coleção. A autora, junto de seu marido, trabalhará como produtora executiva dos filmes.

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Os livros venderam mais de 130 milhões de cópias (pois é, aumentou bem desde a última vez) em todo o mundo, tendo sido traduzidos para mais de 35 línguas.

A primeira incursão nas telonas trará o livro 29, “Christmas in Camelot”. Na trama do longa, os irmãos Jack e Annie vão redescobrir a casa depois de terem crescido.

O Bússola de Livros já resenhou dois livrinhos da coleção, “Cidade Fantasma ao Entardecer” e “Ursos Polares Depois da Hora de Dormir“.

Conheça mais da série aqui.


Vovó Vigarista

Sofro de algo que chamo de “síndrome de Papai Noel”. Acreditei por muito tempo que absolutamente todos os velhinhos do mundo eram pessoas fofas, boazinhas e, principalmente, com mais experiência de vida do que eu. Os anos passaram e, exceto a parte de terem de fato mais experiência por uma questão básica de matemática, aprendi que isso não funciona pra todo mundo. Pessoas escrotas, por exemplo, se tornam apenas pessoas escrotas com mais idade e, por mais “fofinhos” que pareçam, há velhinhos que já deveriam estar no inferno há tempos (Pinochet feelings). Sim, o tempo me fez ficar mais amarga.

bussola_vovovigarista Só que, lá no fundo (e nem precisa ir tão pra dentro assim), continuo querendo acreditar que há mais gente bacana no mundo do que gentalha, e “Vovó Vigarista”, de David Walliams, é uma delícia de livro para mostrar quão legais as pessoas podem ser (e não importa a idade).

Toda sexta-feira Ben precisa ficar com a avó enquanto seus pais se dedicam a tudo que se refere ao programa de tv “Dançando com Superestrelas”. E isso dá a ele arrepios: ela só gosta de comidas que levem repolho e de fazer cruzadinhas. Ainda por cima, o coloca para dormir cedo, sendo que o outro dia nem é de aula. Ben detesta tanto essa rotina que nem tenta mais ser agradável. Mas tudo muda quando ele encontra sem querer, em um armário da avó, um pote cheio de valiosas joias.

Decidido a descobrir como a avó tem uma quantidade tão grande de pedras preciosas, Ben a segue (ela está conduzindo seu supercarrinho elétrico) uma noite, e a encontra na frente de uma joalheria, vestida com uma roupa colante preta, estudando como abrir a vitrine. É assim que o garoto fica sabendo ser neto da famosa Gata Negra, uma ladra de fama internacional.

O relacionamento dos dois sofre uma transformação completa, e Ben descobre na antes velhinha sem graça uma companheira de aventuras sensacionais, que presta atenção ao que acontece ao menino e respeita seu grande sonho de ser encanador (os pais de Ben não são maus, mas também parecem não ter muito tempo para ele). E é assim que os dois bolam um plano mirabolante para roubar as Joias da Coroa Britânica, que ficam em exposição na Torre de Londres.

Já é bem tocante encarar o fato de que a avó é tão “deixada de lado” pela família quanto o próprio Ben. Mas alguns elementos que passam a fazer parte da trama vão dar um nó ainda maior na garganta do leitor, ao mesmo tempo em que é impossível não rir com o jeito da vovó vigarista mais fofa que alguém poderia sonhar em ter.

David Walliams é um dos autores ingleses infanto-juvenis de maior sucesso dos últimos tempos. “Vovó Vigarista” é seu quarto livro e o segundo a ter Tony Ross como ilustrador. O livro vendeu mais de 400 mil cópias e foi transformado em filme para a tv pela BBC One.

 

Vovó Vigarista
David Walliams, com ilustrações de Tony Ross
240 páginas
Intrínseca


Odisseia

Faz literalmente ANOS que comprei esta versão do poema épico grego recontado para crianças por Ruth Rocha. Anos mesmo, não tinha rolado nem o Acordo Ortográfico ainda. Já na época eu queria conhecer a história clássica contada por Homero mas sabia que não teria tempo (muito menos ânimo) para encarar uma tradução do texto na íntegra. Sabendo que dona Ruth Rocha tinha feito essa adaptação, nada melhor do que juntar o útil ao agradável.

bussola_odisseiaA história, propriamente dita, é aquela que se aprende em boas aulas que envolvem mitologia grega: depois da vitória em Tróia, Ulisses tenta – em vão – voltar para Ítaca, sua terra Natal, mas é constantemente atrasado pelos deuses que, vira e mexe, se ressentem de algo que ele ou sua tripulação fizeram. É assim que uma viagem que deveria durar alguns dias acaba por demorar dez longos anos, em que as situações mais díspares acontecem com o protagonista.

Acho bem interessante que ainda que se trate de um texto modificado para o entendimento de crianças, em momento algum esses leitores são tidos como jovens demais para entender as situações. Na verdade, exceto por um momento em que há um “ó Zeus… (era assim que os deuses falavam uns com os outros)”, toda a trama é simplificada, mas não mastigadinha com açúcar.

As aventuras vividas por Ulisses são divididas em três partes, além da introdução, que dá um panorama sobre o pomo da discórdia e a Guerra de Tróia. Há explicações de alguns termos e mesmo pequenas ilustrações (como se tivessem sido feitas na época) em algumas páginas para ajudar no entendimento da trama. Cada novo capítulo também é apresentado com uma imagem representativa da parte da história que vai tratar.

Ruth Rocha também recontou a “Ilíada” em outro livro dessa mesma série.

Odisseia
Ruth Rocha
Companhia das Letrinhas
104 páginas


Segredos do Romance Policial

bussola_segredosromancepolicialVou trabalhar na minha falha de caráter de ainda não ter lido nenhum (outro) livro da dona P.D. James. Na verdade, comprei dois títulos dela e eles ainda estão na minha fila – interminável – de leitura. Mesmo assim, essa praticamente obra de referência de sua autoria para quem gosta de romances policiais já fez pelo meu conhecimento do tema muito mais do que eu poderia imaginar.

Simples assim: Phyllis Dorothy James vai esmiuçando, época a época, os primórdios da literatura policial, desde um tiquinho antes da Era Dourada até os dias atuais (2009, ano de publicação do original), passando por grandes personagens, nomes femininos do estilo, debates sobre porque há críticos que insistem tanto em achar que o gênero é menor e por aí vai. E tem tantas referências legais, mas tantas, que grifei metade do livro no afã de um dia conseguir ler ao menos um livro de cada autor que ajudou a consolidar meu estilo preferido de literatura.

E a senhora James sabia das coisas, viu? Ela contextualiza os romances com a época histórica de sua criação – o que dá um novo sabor há diversas histórias-, faz citações quando um autor acabava por comentar ou criticar a obra de outro que veio antes (momento em que eu peguei um certo rancorzinho de alguns nomes aí), e até dá sugestões de leitura para quem curte o tema. Sério, é uma aula de literatura policial dada por talvez a melhor professora que se poderia ter (pensei aí numa outra senhorinha inglesa que também poderia fazer isso com maestria, mas dona Agatha Christie nos deixou há muitos anos já). P.D. James foi curtir um chá das cinco com dame Christie e Conan Doyle em novembro de 2014.

Por motivos óbvios, a literatura inglesa é mais analisada do que outras, mas há espaço para alguns autores de línguas não-inglesas, principalmente quando a autora comenta a ida das histórias de detetives para outros meios, como a televisão. O foco, porém, continua a ser a história impressa, aquela em que com uma ideia interessante e bom texto, faz o leitor ficar sem ar enquanto não descobrir por qual motivo alguém cometeu um crime.


Segredos do Romance Policial – História das Histórias de Detetives

P.D. James
Três Estrelas
182 páginas


Meio Circulante

O nome não é exatamente instigante. A capa, menos ainda. Ainda assim, o texto da contracapa me fez ficar interessada na trama de “Meio Circulante” por conta da protagonista: uma nota de dez reais.

bussola_meiocirculanteÉ essa nota, novinha, que vai narrar sua própria história, que começa quando saiu de um bolinho de troco de um jornaleiro. De sua primeira dona para frente, a nota vai contar a situação em que mudou de mãos e suas observações sobre cada pessoa que a possuiu. Da mesma forma em que você não sabe em que momento do dia o dinheiro vai sair da sua carteira, ela também não tem controle sobre quando vai deixar uma história para começar outra. A cada troca de mãos (ou passagem de tempo maior), um novo capítulo começa.

A premissa é bacana – como saber se uma nota que já esteve com você em algum momento voltou a estar em seu poder tempos depois, e por onde ela já teria passado nesse meio tempo? – mas meu instinto Sherlock Holmes me fez ficar chateada de não conhecer a conclusão de algumas histórias, que tinham personagens mais interessantes do que outros. Além disso, não entendi se o livro tinha ambições educativas, porque, em alguns momentos, o texto encarna uma linha meio de crítica ao consumo e, apesar de, de repente, até oportuna, a discussão diminuía o ritmo da história, fazendo com que ela ficasse maçante.

O desfecho é particularmente interessante e condizente com essas “memórias” da nota, uma boa sacada. Mas, de verdade, eu podia ter passado sem o discurso batido das pessoas que fazem bobagens e aí tentam se redimir pro resto da vida, ou de que é quem tem mais dinheiro que esconde tristezas/conflitos imensos (de boa, ninguém precisa ter saldo positivo na conta corrente pra isso).

 

Meio Circulante
Edison Rodrigues Filho
Melhoramentos
112 páginas


Rua do Berro – Garra do Lobisomem

Se eu já achei que estava errado de ter começado a ler a história de “Muncle Trogg” a partir do segundo livro, o que dizer da coleção da “Rua do Berro”? Meu primeiro contato com a trama foi com o SEXTO título da série. SEXTO. E pior que eu gostei tanto que agora vou ter de achar os outros 5 anteriores. :-/

bussola_garradolobisomemA tal rua do Berro que dá nome à coleção é o local, num mundo paralelo, em que moram todos os monstros e seus descendentes que a AEOHFVIN – Agência Estatal de Organização Habitacional para Formas de Vida Incomuns – julga representarem um perigo para os humanos comuns. Num dia de raiva, o garoto Luke Watson se transformou em um lobisomem quando um valentão o enfrentou, e foi assim que sumariamente ele, seu pai e sua mãe foram encaminhados para essa outra dimensão.

Mas a vida na rua do Berro é bem interessante. Luke fez vários amigos, como Cleo (uma múmia) e Ressus (filho de vampiros), que nos outros títulos da trama o ajudaram a resgatar as relíquias dos fundadores da localidade, segundo as orientações precisas do espírito de Samuel Pulipedra, escritor do livro que conta a saga do lugar. Esses artefatos, quando juntos, têm o poder de abrir um portal para o mundo como o conhecemos, e o maior desejo de Luke é poder levar seus pais de volta à vida que eles tinham antes.

A garra do lobisomem é a última relíquia necessária. Na verdade, Ressus e Cleo já estão num climão meio que de despedida de Luke, porque sabem que o amigo vai deixá-los em breve. Ninguém imaginava, porém, que a gripe de uma bruxa bagunçaria um pouco as coisas.

Leitura divertida, ágil e bem construída, Rua do Berro têm ao todo 13 livros. “Dente do Vampiro”, “Sangue da Bruxa”, “Coração da Múmia”, “Carne do Zumbi”, “Crânio do Esqueleto” e “Garra do Lobisomem” saíram no Brasil, pela Salamandra. “Invasion of the Normals”, “Attack of the Trolls”, “Terror of the Nightwatchman”, “Rampage of the Goblins”, “Hunger of the Yeti”, “Secret of the Changeling” e “Flame of the Dragon” não foram traduzidos para o português ainda.

Em comum, todos os livros trazem cards colecionáveis dos personagens ao final da história. Acredito que o mapinha da rua do Berro que abre as edições também seja uma constante nos demais títulos.

Rua do Berro – Garra do Lobisomem
Tommy Donbavand
Salamandra
128 páginas


Muncle Trogg e o Burro Voador

Sei que comecei errado: minha primeira interação com a criação de Janet Foxley foi com esse segundo livro da série do menor gigante do mundo. Ainda que talvez eu tenha perdido alguns detalhes interessantes da trama, a história se desenrolou sem maiores problemas.

bussola_muncletroggburroNa idade, Muncle Trogg, o menor gigante do mundo, tem o equivalente a uns 10 anos. Mas é menor, inclusive, do que seu irmão mais novo. Seu tamanho é quase o de um Pequenote, como os gigantes que moram no Monte das Lamentações chamam os humanos que moram próximo à base da tal montanha. A inteligência dessas criaturas, porém, é inversamente proporcional a seu tamanho: eles têm algumas dificuldades em entender, além de outros assuntos, que o lugar em que moram é, na verdade, um vulcão que está dando sinais de que vai entrar em erupção.

Acontece que apenas Muncle, que é amigo de uma Pequenote chamada Emily (que já chegou a ser sequestrada por outro personagem no primeiro livro, e dada de presente à princesa Anã de Jardim), sabe que se quiser que seus familiares, amigos e o restante do povo do local não morram, todos os gigantes precisam deixar o Monte das Lamentações enquanto há tempo. Para isso, vão precisar voltar a montar nos dragões, outras criaturas míticas que no mundo dos gigantes são como cavalos.

Por ser diferente, Muncle sofre com um certo bullying de outros gigantes, e demora a ser reconhecido como Sábio Minúsculo, um alto (sem trocadilho) posto ao qual ele foi alçado depois de salvar os gigantes no primeiro título. Ainda assim, ele não se intimida e está decidido a proteger seu povo, mesmo que para isso precise usar do artifício do Burro Prodígio, uma criatura maravilhosa que voa e é dotada de máxima inteligência.

O inicio da trama, apesar das ilustrações bonitinhas de Steve Wells, tava meio chatinha, sabe? Talvez pelo fato de eu não ter um carinho pelos personagens vindo do primeiro livro. Mas quando as coisas começam a esquentar no vulcão, rola uma compaixão pelas criaturonas ingênuas que são os grandões. Mais do que isso, fiquei realmente curiosa pra saber o que acontecerá no próximo volume da série (“Muncle Trogg and the Great Dragon Flight”, que parece só ter saído em alemão por enquanto).

Dona Janet Foxley, a autora, sempre escreveu, mas só publicou sua história aos 60 anos, provando que não há idade para começar alguma coisa. :-)

Muncle Trogg e o Burro Voador
Janet Foxley
Intrínseca
208 páginas