Espetinho de Gafanhoto, Nem Pensar!

Quando me interessei pelo título deste livro, há bastante tempo, na verdade imaginava que poderia entrar na lista de títulos de turismo interessantes para jovens. E não é que não possa – na verdade as informações sobre a cultura asiática que aparecem no texto são bem legais. O problema, pra mim, é que a história não chega nem a gerar uma narrativa comum, nem é um “Isto é Roma” da vida.

bussola_espetinhodegafanhoto Júlia e Luísa são primas, na faixa de uns 12, 14 anos, aparentemente. As férias da escola chegam e a avó Rosa, chamada de “senhorinha prafrentex”, as convida para irem, as três juntas, viajar para a Tailândia e o Vietnã. O livro é um diário de viagem das meninas sobre o que fazem dia a dia no passeio.

Comecemos pelos pontos positivos: aprendi mais sobre os dois países com esse livro do que em qualquer outro informativo de turismo com o qual já tive contato. No quesito quantidade e qualidade de informação, a nota é dez. Também gostei muito do traço que define as personagens. Gostei bastante do cuidado na hora de definir as roupas das meninas: parece que as estampas estão por baixo do desenho, como se ele fosse vazado, é realmente bacana.

Mas aí começam os problemas. Como disse antes, a história não se enquadra nem como um “romance”, nem como um livro de curiosidades sobre os locais. Se a trama é um diário, porque começar falando sobre a aula de surfe das meninas, quando teoricamente elas nem tinham o caderninho em branco ainda? Pra quê saber que uma delas é filha de pais separados se isso não faz diferença na rotina das viajantes?

Duas outras coisas me incomodaram bastante. A primeira é que, com a quantidade de informações legais sobre a Ásia, por qual motivo não colocar aqui e ali fotos dos lugares? Se a ideia da publicação é mostrar um pouco desse mundo tão diferente, acho que imagens reais de alguns locais seriam muito bem-vindas. A segunda, e talvez seja chatice minha, devo confessar, é que nunca na vida havia lido um livro em que ficasse tão nítido que quem escreveu era do Rio de Janeiro. São expressões, comparações… Mas da forma que aparecem, me senti mais uma intrusa do que “convidada a conhecer as diferenças entre o meu estado e o RJ”. E nem vou falar da questão de que a conta sobre a idade da personagem Rosa não me faz considerá-la uma “vovó”.

“O Hambúrguer Era de Carneiro – Diário de uma Viagem à Índia” é da mesma autora, com ilustrações de Mariana Massarani.

Enfim, boa ideia, com desenrolar questionável.

Espetinho de Gafanhoto, Nem Pensar!
Daniela Chindler, com ilustrações de Suppa
Rocco Jovens leitores
104 páginas

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