Meio Circulante

O nome não é exatamente instigante. A capa, menos ainda. Ainda assim, o texto da contracapa me fez ficar interessada na trama de “Meio Circulante” por conta da protagonista: uma nota de dez reais.

bussola_meiocirculanteÉ essa nota, novinha, que vai narrar sua própria história, que começa quando saiu de um bolinho de troco de um jornaleiro. De sua primeira dona para frente, a nota vai contar a situação em que mudou de mãos e suas observações sobre cada pessoa que a possuiu. Da mesma forma em que você não sabe em que momento do dia o dinheiro vai sair da sua carteira, ela também não tem controle sobre quando vai deixar uma história para começar outra. A cada troca de mãos (ou passagem de tempo maior), um novo capítulo começa.

A premissa é bacana – como saber se uma nota que já esteve com você em algum momento voltou a estar em seu poder tempos depois, e por onde ela já teria passado nesse meio tempo? – mas meu instinto Sherlock Holmes me fez ficar chateada de não conhecer a conclusão de algumas histórias, que tinham personagens mais interessantes do que outros. Além disso, não entendi se o livro tinha ambições educativas, porque, em alguns momentos, o texto encarna uma linha meio de crítica ao consumo e, apesar de, de repente, até oportuna, a discussão diminuía o ritmo da história, fazendo com que ela ficasse maçante.

O desfecho é particularmente interessante e condizente com essas “memórias” da nota, uma boa sacada. Mas, de verdade, eu podia ter passado sem o discurso batido das pessoas que fazem bobagens e aí tentam se redimir pro resto da vida, ou de que é quem tem mais dinheiro que esconde tristezas/conflitos imensos (de boa, ninguém precisa ter saldo positivo na conta corrente pra isso).

 

Meio Circulante
Edison Rodrigues Filho
Melhoramentos
112 páginas

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