Sexta-feira o Rabino Acordou Tarde

Sexta_feira_rabino_acordou_tardeOk, passou longe de ser infanto-juvenil. Quer dizer, não há motivo para não ser lido por um público adolescente, mas não seria exatamente a primeira opção dessa galera, imagino. A questão é que às vezes dá vontade de escrever sobre livros diferentes e, como sou alucinada por mistérios e livros com temática policial, lá vamos nós.

Antes de mais nada, é preciso se levar em conta que o livro é de 1964. E isso precisa ser dito logo porque se você não tomar isso como verdade absoluta logo de início, fica difícil aceitar o desenrolar da trama. Então, não há internet (óbvio), nem gadgets (idem), mas também não há uma forma de analisar as “provas” do crime de um jeito eficiente, não há como pegar uma digital da cena do crime, puxar a ficha criminal dos envolvidos… E, mais estranho de tudo, tem de se lidar com o fato que a vida das mulheres era bem diferente de como é hoje.

Comprou o cenário? Ótimo. “Sexta-feira” é o primeiro livro da série protagonizada pelo rabino David Small. E aí você já tem a resposta de por qual motivo me interessei pelo livro. A alusão ao dia da semana em que se passa a trama me pareceu bem legal, ainda mais pelo “detetive” da história ser um religioso que trabalha em um templo.

Small é jovem, inteligente, sensato e não liga muito para a aparência, algo que incomoda bastante ao grupo que sustenta a congregação. Na verdade, o contrato do rabino está para ser revisto e a forma como ele costuma ajudar a resolver os problemas do grupo da pequena cidade de Barnard’s Crossing, na Nova Inglaterra, não agrada a todos.

É nesse clima que Elspeth Bleech, babá de uma das famílias abastadas do local, é assassinada, e seu corpo encontrado dentro dos limites do templo. Small estava estudando ali quando aconteceu, e, para piorar, os pertences da moça são encontrados dentro do carro do rabino. Fica bem nítido desde o começo da trama que Small não é o culpado (e não estou dando spoiler), mas é graças a perspicácia dele que o delegado Hugh Lannigan, que é católico, vai descobrir que a população local não é assim um encanto de gente.

Apesar de um desfecho crível e fundamentado, o ritmo me pareceu meio devagar demais. Talvez seja essa coisa da rapidez do mundo de hoje… De qualquer forma, o pequeno glossário de termos da religião judaica, assim como alguns insights sobre como era a vida da comunidade nos anos 1960 é bem interessante.

Sexta-Feira o Rabino Acordou Tarde
Harry Kemelman
238 páginas
Cia das Letras

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