A Gata do Rio Nilo

A proposta do livro é no mínimo inusitada: cada capítulo da história apresenta as características de uma determinada escola literária do Brasil. A trama se apresenta já no primeiro momento (baseado no Barroco), quando acompanhando a troca de cartas entre dois irmãos, o leitor descobre que o professor Victor Alexandre, filho de um deles, costumava ser um rapaz tranquilo até o momento em que algum fato desconhecido por sua família o jogou em uma depressão sem fim.

bussola_gatadorioniloA cada nova divisão, além da mudança de estilo (romantismo, realismo, naturalismo, modernismo e pós-modernismo), a visão de um personagem é esmiuçada, sempre em cima de uma mesma sequência de fatos, responsável por acontecimentos que mudaram a vida de todos os envolvidos.

Com o passar dos seis capítulos, a história vai ganhando mais detalhes, ficando completa, de fato, apenas no último parágrafo do livro. É curioso notar como, numa mesma situação, a visão dos envolvidos pode ser absurdamente diferente.

De fato, na minha opinião, esse é o grande trunfo do título. São tantas as situações na vida em que você acredita que se fez entender e que, tempos depois, nota que não só isso não aconteceu quanto ainda precisa amargar a sensação de ser culpado por atitudes de outros… Fazer o paralelo com a vida pessoal é fácil, e entender Victor Alexandre também.

E se como mistério/suspense a história não é sensacional (e não é mesmo, está longe disso), a trama sustenta a curiosidade do leitor enquanto o conduz por exemplos interessantes da literatura brasileira. Uma boa pedida para estudar em sala de aula.

A Gata do Rio Nilo
Lia Neiva
151 páginas
Editora Globo

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