Magisterium – O Desafio de Ferro

Harry Potter fez um bem para leitores do mundo todo que talvez ainda seja necessário algum tempo para que as pessoas se dêem conta. Com sua história fantástica de um garoto bruxo que estuda numa escola especial de magia, muitas crianças e adolescentes que normalmente passariam longe de qualquer livro com mais de 20 páginas passaram a não ter medo de simpáticos volumes com mais de 600 folhinhas. Sem dúvida, um marco. Sem dúvida, extremamente importante.

bussola_desafiodeferroO grande problema é que, depois do sucesso do personagem de J.K. Rowling, outros livros protagonizados por bruxos passaram a aparecer e muita gente passou a taxar todos eles de “cópias” de Potter. E, adivinhe só, nem sempre isso é verdade.

Esse é o caso de “Magisterium – O Desafio de Ferro”. A trama escrita a quatro mãos por Holly Black (de quem gosto desde “Crônicas de Spiderwick”) e Cassandra Clare (de “Cidade dos Ossos”) até pode parecer mais uma história de adolescentes que se descobrem magos e que vão estudar para se tornarem poderosos e confiantes para destruir algum vilão de proporções épicas. E parte da coisa é por aí mesmo. Mas, lá pelas tantas, a história sofre uma reviravolta tão bacana que você vai ficar se perguntando quando é que -por favor! – elas farão o segundo título da série.

Callum Hunt é um garoto que tem consciência de que seu pai, Alastair, que o criou sozinho após a morte de sua mãe, foi um mago poderoso. Ele também sabe que, chegando a uma determinada idade, terá de passar por uma avaliação de bruxos para saber se poderá ou não ingressar numa escola especial. Como seu pai sempre deixou muito claro os perigos de se tornar um mago, desde muito criança Cal tem um plano elaborado para esse momento: falhar em tudo.

Mas, é claro, que ele falha em falhar. Sem alternativa que não a de seguir para o Magisterium (depois de um pequeno show de seu pai), Cal vai conhecer todo tipo de criança que também passou nos testes. Algumas com segredos, outras estranhas, outras de quem ele até gosta. Chegando, o protagonista vai dividir o que parece um pequeno “apartamento” com outros dois alunos, que, como ele, serão educados pelos Mestre Rufus. Tamara vem de uma família abastada, com grandes expectativas tanto para ela quanto para sua irmã mais velha. Aaron é um garoto gente boa que parece não ter família – apesar de que sua história de vida só deve realmente ser contada em outros livros da série.

Claro que como numa escola comum há aulas muito chatas, como as iniciais dadas pelo tutor dos três; valentões, invejinha, crianças que parecem mais infantis do que são, e por aí vai. Ainda assim, com o passar do tempo, Callum percebe que está (que seu pai não o ouça) gostando da escola. Mas a presença do Inimigo da Morte, antigamente conhecido como Constantine Madden, um mago que subverteu as ordens do “bem”, logo se faz presente, assim como a de seus discípulos, os Dominados pelo Caos. Madden tornou-se obsessivo com seu poder como Makar (um tipo especialmente poderoso de mago), e desde sua desobediência às “regras” se tornou uma ameaça a todos os feiticeiros do mundo.

Call vai descobrir várias coisas a seu próprio respeito que Altair, por bem, nunca contou. A verdade, porém, pode ser muito dolorida.

Sim, parece HP, mas a história é outra, tão envolvente quanto, por sinal. Call, mesmo meio mal-humorado e com doses fortes de sarcasmos em tudo o que faz, é um personagem que acaba conquistando os leitores, afinal, todo mundo tem dias ruins e às vezes não sabe lidar com a situação. A trama também tem momentos de tensão, em momentos em que se sabe que, se Call for pego, toda a nova vida dele vai pelos ares. Um livro talvez um pouco longo de início por se tratar do primeiro da saga, mas que a partir do instante em que cativa o leitor, fica difícil largar.

Cada livro da saga deve contar um ano letivo do Magisterium. O primeiro é o ano de Ferro, o segundo (que tem previsão de lançamento em setembro de 2015) será o de Cobre.

 

Magisterium – O Desafio de Ferro
Holly Black e Cassandra Clare
382 páginas
#Irado

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