A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

A coleção Eternamente Clássicos da Leya havia me chamado a atenção há um tempo, por conta das capas coloridas em cores fluorescentes, e por dar ao leitor a oportunidade de conhecer textos interessantes que muitas vezes a gente conhece só pelo nome. Foi o caso de “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, que eu só conhecia por conta do filme com o Johnny Depp. Mas como comecei a assistir meu marido jogando “The Wolf Among Us” no Xbox, acabei ficando curiosa de ler a história de uma vez.
icabod-crane-wolf-among-usA saber, o jogo da Telltale é baseada nos quadrinhos “Fables” de Bill Willingham e traz uma série de personagens de contos de fadas e mitos morando em uma mesma vizinhança de Manhattan do final dos anos 1980. Fora do mundo encantado, eles puderam desenvolver outras facetas de suas personalidades, e passaram a enfrentar vários problemas mundanos. A ideia é muito legal e pretendo conhecer a HQ a fundo logo mais. Bom, mas o que o videogame tem a ver com o livro? A questão é que Ichabod Crane é uma espécie de prefeito dessa comunidade de seres fantásticos. E fiquei um pouco chocada de vê-lo como um chato, prepotente e irritante personagem. Não era assim que eu o via na história de Tim Burton. Então, que ótimo momento para ir à fonte.

bussola_alendadocavaleirosemcabecaA questão é que a história original me surpreendeu ainda mais. Não apenas pelo fato de o livro de Washington Irving ser muito menor do que eu imaginava (são apenas 74 páginas), ou pelo texto ser divertidinho (excetuando-se aí umas duas citações racistas extremamente infelizes, mas “condizentes” com seu tempo), com alguns toques de sarcasmo que realmente me parecem inovadores para a época em que foi escrito (1820), mas principalmente porque a trama não tem quase nada do que se viu no cinema, e porque – pasmem – Ichabod consegue ainda ser mais chato do que se poderia pensar.

No original, Ichabod é um professor que trata os alunos na base do abuso de “pequenos poderes”, deslumbrado e cujo apreço pela jovem Katrina Van Tassel tem mais a ver com golpe do baú do que com amor. Desaponta ainda mais o fato de o personagem que dá nome à trama ser considerado realmente uma lenda, e apenas isso.

Aí é aquilo: Ichabod dá aulas na escola e atua como tutor de crianças no pequeno Vale Sonolento, Sleepy Hollow para os íntimos, em Nova York. Com a intenção de conseguir viver como patrão no futuro, ele se interessa por Katrina, filha de um dos holandeses abastados da região, ignorando propositadamente o interesse que um certo Brom Bones – um tipo Gaston do desenho de “A Bela e a Fera” da Disney – também tem pela moça. Medroso, Ichabod teme a lenda da figura sem cabeça que teria sido enterrado em uma igreja das cercanias e que buscaria pela parte faltante de seu corpo em algumas noites.

Aí é isso. A figura é um mito da região, meio bicho-papão, e o grande fio condutor da trama é esse interesse que o professor e o tipo musculoso sentem pela donzela e o desfecho dessa situação, em que aparentemente a esperteza mostra ser a melhor qualidade. Sério, frustração total.

De positivo, a edição é realmente bonita, com algumas sombrias ilustrações e impressão caprichada em um papel com gramatura mais grossa que o tradicional.

Washington Irving teve importante papel para a literatura dos EUA, tendo sido um dos primeiros escritores a alcançar sucesso não apenas em seu país, mas também na Europa.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Coleção Eternamente Clássicos)
Washington Irving
74 páginas
LeYa Brasil

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