Aqui é o Melhor Lugar

Devia estar na 1a ou 2a série quando li “No Reino Perdido do Beleléu”, de Maria Heloísa Penteado. Lembro que a ideia de descobrir finalmente para onde iam as coisas que a gente perdia me “acalmou” profundamente  -afinal, era a possibilidade de achar alguma lógica em algo que nem sempre tem (considere se tratar de uma pequena criança virginiana que nunca aceitou bem perdas, de todos os tipos).

Os anos passaram, a terapia fez – e faz –  efeito, mas os deuses sabem quanto me perturba perder alguma coisa. E é provavelmente por isso que me identifiquei sem muita delonga com Sandy Shortt, protagonista de trama de “Aqui é o Melhor Lugar”.

bussola_aquieomelhorlugarSandy  ficou severamente marcada por algo que aconteceu em sua infância – o desaparecimento de Jenny-May , uma criança de sua idade, que morava na casa em frente a dela. A partir daí, a personagem passa a desenvolver uma obsessão maior do que a aceitável pela sociedade por encontrar as coisas que perde.

O tempo passa e Sandy foi trabalhar com a única coisa que pode, de alguma forma, melhorar sua ansiedade: ela primeiro se torna policial e depois passa a tocar sua própria agência para encontrar pessoas desaparecidas. Nesse meio tempo, conseguiu afastar quase todas as pessoas de quem gosta, pois se dedica demais ao trabalho e prefere não ter nenhum relacionamento mais sério, mesmo que seja com seus carinhosos e zelosos pais.

E se há uma coisa na qual Sandy é realmente boa é em seu empenho para tentar achar desaparecidos. Por mais que nem sempre ela tenha sucesso em suas buscas, sua dedicação é motivo de lembrança para todos os que procuram seus serviços. Jack Ruttle é um desses clientes: seu irmão caçula, Donal, sumiu há um ano e ele vê em Sandy a última alternativa para encontrá-lo.

Acontece porém que, na manhã do dia em que deveriam se encontrar, Sandy some. Jack vê o carro dela próximo a uma floresta (a história se passa na Irlanda) e parece que a moça teria saído para fazer uma trilha, mas não voltou. Os dias passam e a impressão que se tem é que apenas Jack está realmente preocupado com isso, afinal, a “moça das pessoas desaparecidas” não desapareceria, simplesmente.

Sandy realmente foi fazer uma trilha, mas, como num conto de fadas fanfarrão, acabou sim se perdendo e, de alguma forma, indo parar em Aqui, o lugar para onde vão todas as coisas perdidas, de malas a pessoas, desde o começo dos tempos. E num lugar com tanta gente, das mais diferentes raças e culturas, um novo governo se institucionalizou, com regras próprias e vida (quase) comum.

Se num primeiro momento Sandy fica atônita por encontrar todas as pessoas de sua lista de casos não resolvidos, por outro lado começa a se preocupar também: da mesma forma que não sabe como chegou lá, também não tem ideia de como e se conseguirá ir embora.

Com uma história curiosa e ao mesmo tempo metafórica para várias situações da vida, Ahern consegue prender a atenção do leitor até o final da trama, e não decepciona. Meu único porém com a edição se refere a algumas passagens do texto meio confusas, não sei se pelo estilo da autora ou por problemas na revisão mesmo. Ainda assim, ótima leitura.

Ahern também é a responsável pela obra que deu origem ao filme “P.S. I Love You” e uma das co-autoras da série de TV  “Samantha Who?”.

Aqui é o Melhor Lugar
Cecelia Ahern
384 páginas
Rocco

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