A Loja dos Suicidas

A produção editorial do autor francês Jean Teulé é extensa, mas este foi o primeiro título dele que vi no Brasil. Por isso mesmo, não sei dizer se o tema e o estilo são comuns em sua obra.

bussola_lojasuicidaO livro, que virou uma animação para o cinema em 2012, oferece ao mesmo tempo humor negro (mas nem um pouco de riso fácil) e uma sensação crescente de desconforto conforme as páginas vão sendo transpostas. Os Tuvache são proprietários há anos da Loja dos Suicidas, uma empresa familiar que deixa à disposição dos fregueses todo tipo de parafernália necessária para quem quer dar cabo da própria vida. Isso pode incluir de cordas com firmes nós já feitos a venenos suaves para uma passagem “tranquila”. Envolvidos pelo comércio das gerações passadas, Mishima e Lucrèce, os patriarcas, cuidam para que seus filhos, Vincent, Marilyn e Alan, sejam tão soturnos e depressivos quanto os negócios pedem, afinal, diferentemente de outras lojas, na Loja dos Suicidas, um cliente satisfeito é aquele que não volta.

Mas o filho caçula, Alan, é diferente dos outros. O menino é feliz por viver desde sempre, e de forma persistente, porém às vezes com cara de travessura de criança, tenta mostrar que o que a família encara como ganha-pão podia se transformar em motivo de riso, de leveza, de brincadeira. É claro que a ideia não vai ser bem vista pelo restante dos habitantes da casa.

Um dos fatores mais interessantes da trama são as pistas que o autor dá sobre a época em que se passa a história. Novamente, melancolia e curiosidade se unem, mostrando que religiões também podem se desintegrar.

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Capa da edição portuguesa traz os personagens da animação

Não vou dizer que o livro é surpreendente porque, pra ser sincera, lá pela página 20 eu já estava meio que certa de que algumas coisas iam acontecer, mas ainda assim é bem diferente do padrão. Interessante para dar uma aguçada nos sentidos, como cheirar café em loja de perfume para limpar o olfato.

 

A Loja dos Suicidas
Jean Teulé
Ediouro
144 páginas

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