O Ladrão de Raios

CapaLadraoDeRaios.pdfAno passado, pra mim, foi algo meio que como “aquele que não deve ser nominado”. Não por acaso, acho que pesei a mão nas leituras. Foi assim com “Os 13 Porquês”, “Rosita y Conchita” e outros dos quais mais pra frente ainda vou falar. E, posso dizer sem sombra de dúvida que, da mesma forma que sir Arthur Conan Doyle já me salvou quando eu era pré-adolescente, foi Rick Riordan quem ofereceu a mão (no caso, o livro), para que meu humor fizesse a gentileza de melhorar. Agradeço a Percy Jackson pela graça alcançada.

“O Ladrão de Raios” é o primeiro livro em que o garoto que descobre ser um “meio sangue”(filho de um humano e de um deus grego) é protagonista. Perseu Jackson tem dislexia e é considerado hiperativo, mas isso não é empecilho quando ele se dá conta de que está sendo caçado por seres mitológicos pelo fato ser herdeiro de Poseidon, o deus do mar.

Levado por Quíron, um de seus professores (na verdade um centauro), para o Acampamento Meio-Sangue, Percy toma contato com uma série de informações sobre sua “família”, incluindo a desconfiança de seu tio (no caso, Zeus) de que ele está envolvido no sumiço do raio-mestre, instrumento que representa o poder do deus dos deuses e que, nas mãos erradas, pode fazer as bombas atômicas humanas parecerem coisa de criança.

Como era de se esperar, Percy vai contar com a ajuda de alguns amigos. Annabeth, filha de Atena, e Grover, um sátiro que já era seu colega da época da escola (como Quíron, o outro garoto também escondia sua anatomia original das demais pessoas graças a “névoa” que é capaz de enganar olhos humanos). Inimigos e traições também fazem parte do roteiro.

Enquanto a trama corre, Riordan aproveita para contextualizar diversas histórias da mitologia, trazendo para a atualidade alguns heróis e batalhas da Grécia antiga. Um deleite para quem gosta do tema e se empolga de tiradas inteligentes (devo dizer que “vá para o Tártaro” é algo que tenho desejado em silencio para várias pessoas).

Como pessoa criada e educada na Jornada do Herói, sabia mesmo antes de começar que gostaria do livro. É interessante ver os passos do indivíduo que se descobre herói (mesmo que Percy não tenha isso muito claro para si próprio) e de como sua existência passa a ser uma espécie de joguete nas mãos de entidades imortais que, ainda assim, eventualmente se preocupam com sua segurança (afinal, Poseidon não esteve do lado de sua mãe enquanto ele crescia, mas ainda é seu pai).

É também digno de, no mínimo, um sorriso, o fato de que nosso herói não se encaixa no mundo em que vive porque tem dificuldades psicológicas tachadas com bastante frequência nos dias de hoje. Ao que consta, Riordan tem um filho com o que se considera TDAHI e dislexia.

Ah, sim, um filme baseado no livro foi lançado em 2010. Ainda não assisti, mas pelo trailer, não é completamente fiel a trama (ah vá?).

 

O Ladrão de Raios
Rick Riordan
400 páginas
Intrínseca

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