Motivos para ler A Grande Questão

a-grande-questao-capaSão vários os motivos que fazem de “A Grande Questão” um livro para se ver e rever muitas vezes. Rendo-me às listas (o que seria da internet sem elas?), mas sem números, para não parecer que existe uma hierarquia. Os tópicos são simplesmente resumos das ótimas qualidades do livro. Aí vão:

  • A primeira página já começa com a resposta para uma pergunta que beira o seguinte: por que viemos ao mundo? Não vemos durante todo livro quem é o autor da pergunta. Não sabemos gênero, idade, nacionalidade, nada… E isso não faz falta. Por fim, a pergunta acaba virando uma questão do próprio leitor, que vira o principal questionador da história. E quem nunca se fez essa pergunta antes? Difícil não se identificar.
  • A cada página um personagem dá uma resposta de acordo com o sentido de sua própria vida. O irmãozinho acha que é para festejar aniversário, o comilão que é para comer, o pássaro para cantar, o soldado para obedecer. E por aí vai. Cada um vê um sentido em vir ao mundo de acordo com suas preferências e habilidades. Bem legal notar como a resposta muda de acordo com os diferentes pontos de vista (viajando um pouco, isso me fez lembrar um pouco do psiquiatra austríaco Victor Frankl – leia mais sobre ele aqui).
  • Ok, a questão é filosófica. Se você pensou em excesso de seriedade, desista. Tudo é apresentado de um jeito muito leve e criativo.

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  •  O livro é atraente para todas as idades. E, como eu disse acima, é para ver e rever. Ótimo custo benefício.
  • No fim da edição há uma página extra para anotar as suas próprias observações sobre a tal pergunta.
  • As ilustrações! Ah, as ilustrações…. Com um charme “cru”, como se beirasse um rascunho, os desenhos têm traços à mão e seus contornos parecem ter sido recortados e colados sobre o fundo branco. Algumas das minhas páginas preferidas: a figura da morte, uma caveira com cara de sonhadora observa uma abelha voando. Sua roupa tem ares de Arlequim, e é estampada com bolas amarelas. Outra: o perfil de um lutador de corpo todo negro e olhos amarelos em destaque, com lutas de boxe em punho, representando com belos contrastes sua gana de lutar. Por fim, a página de um marinheiro, que mistura papéis de diferentes estampas, em uma paisagem original e expressiva.
  • Outros motivos em forma de “pílulas de curiosidades”: o livro foi premiado como livro do ano na Feira de Bolonha de 2004; o autor, o alemão Wolf Erlbruch é professor titular de ilustração (rá!) em na Universidade Gesamthochschule; ele recebeu o prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto de sua obra em 2006.
  • Precisa mais? Se sim, lá vai: a maioria dos livros que o autor escreveu e ilustrou traz alguma reflexão ou um grande mistério. Mal posso esperar para ler o próximo de sua autoria.

A GRANDE QUESTÃO
Autor: Wolf Erlbruch
Editora: Cosac Naify
48 páginas

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