Uma, Duas, Três Princesas

"Uma, Duas, Três Princesas"Princesas frágeis, dóceis e submissas estão fora de moda. Até a conservadora Disney, que apostou no esterótipo “preciso-de-um-príncipe-que-me-salve” ao longo de décadas, deixou suas heroínas com personalidades mais ativas e capazes de resolver seus próprios problemas em filmes mais recentes.

Atual, este livro, da famosa Ana Maria Machado, tem ares feministas (eba!) e suas protagonistas sabem arregaçar as próprias mangas. Únicas herdeiras do trono, as três princesas do título usam a própria inteligência, desenvolvida com leituras e observação do mundo, e força de vontade para resolver um problemão.

Quando o pai cai doente, os sábios e ministros do reino sentem falta de um herdeiro homem, mas se conformam com o que têm à mão: incumbem a princesa mais velha de descobrir o “feitiço” que acometeu o soberano. A boa notícia é que as princesas, por um impulso da mãe e do pai, haviam sido estimuladas a exercitar a massa cinzenta com computadores, revistas e livros. Isso mesmo, computadores. E tablets também!

Por fim, todas as irmãs se envolvem na descoberta do mistério. Ao narrar as jornadas, a autora brinca com contos de fadas conhecidos, como o do João e o Pé de Feijão, da Chapeuzinho Vermelho e da Cinderela. A graça é ver que as princesas interferem nessas histórias, modificando com suas atitudes o rumo desses personagens tradicionais.

Outra coisa legal é que as princesas também fogem do “pálido-donzela”. Em vez dos olhos claros de uma Aurora ou Cinderela, temos olhos descritos como “azeitona preta” e “avelãs”. A pele não tem nada de Branca de Nevel. As herdeiras são morenas com cabelos cacheados e suas roupas e enfeites têm estampas vivas, bem descoladas.

O visual do livro é bonito e cheio de detalhes. Há mistura de figurinos típicos de histórias reais (mantos, coroas e outros adornos sisudos) e atuais (a filha do meio, por exemplo, usa short curto, botas vermelhas e mochila colorida). O mesmo com outros objetos do cenário — o quarto da bagunça das princesas tem mobílias moderninhas e, ah, é cheio de livros.

Muitas estampas miúdas, texturas interessantes e paisagens em branco e preto completam os desenhos da ilustradora Luani Guarnieri. A folhagem das árvores, por exemplo, é cheia de traços miúdos. É uma boa dica de leitura para as pequenas e para os pequenos também.

UMA, DUAS, TRÊS PRINCESAS
Autora:
Ana Maria Machado
Ilustradora: Luani Guarnnieri
Editora Ática
40 páginas
Indicação: 8/ 9 anos (6 anos para leitura acompanhada)

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