Ilustrador tatua seus desenhos infantis nas mãos e no pescoço

 

O ilustrador Fê com uma de suas tatuagens (Fê/ Divulgação)

Entrevista que fiz para a Folhinha, caderno infantil da Folha de S. Paulo, publicada em 26 de outubro de 2013.

Escolher uma cor preferida é uma tarefa difícil para Fê, ilustrador de livros infantis e da coluna do José Simão, publicada na Folha de S. Paulo. Em seus desenhos ele não tem medo de usar tons fortes, e menos ainda de misturá-los.

“As cores são como uma orquestra sinfônica: cada instrumento tem uma força, mas quando são tocados juntos a beleza e a harmonia são muito maiores”, diz.

Formado em arquitetura em 1983, Fê conta que já naquela época queria desenhar para os pequenos. De lá para cá, ilustrou livros infantis de autores como Ilan Brenman, Tatiana Belinky e Ana Maria Machado.

Em 2011, lançou a primeira história somente de sua autoria, chamada “O Reizinho que Só Falava Sim” (Editora Larousse).

Também assina sozinho “Brinconto”, “Ki-som-será?”, “No Mundo do Faz de Conta” (Editora Paulinas) –estes três repletos de bichos coloridos –e ” A Pinta Fujona” (Editora Iluminuras), sobre uma pinta preta que pula do casco da joaninha para conhecer outras pintas.

Na entrevista abaixo, concedida por e-mail, Fê fala sobre seu processo criativo, dá dicas para pequenos desenhistas e comenta as criações que tem no próprio corpo. É isso mesmo: alguns de seus personagens viraram tatuagens!

Thaís Fonseca – Você usa muitas cores nos seus desenhos. Você sempre gostou de cores fortes?
 – As cores, eu acredito, são o ponto forte da minha criação. Elas surgem naturalmente no meu processo criativo.

Você tem uma cor preferida?
Amo todas as cores, pois elas são como uma orquestra sinfônica: cada instrumento tem uma força, mas quando são tocados juntos a beleza e a harmonia são muito maiores. Mas a cor amarela sempre me fascinou, principalmente porque ela é carregada de luz, vida e alegria.

(Fê/ Divulgação)

Você desenhou vários bichos nos livros “Brinconto”, “No Mundo do Faz de Conta” e “Ki-som-será?”. Você gosta de animais?
Amo bichos! Quando era pequenino, tive cachorro, gato, pato, galinha, tartaruga, peixes… Já deu para perceber o quanto gosto de bichos, né?

Qual bicho você mais gosta de desenhar?
É muito difícil selecionar um bicho só, mas gosto muito de gatos. Os felinos são muito bonitos e divertidos para desenhar.

Que idade você tinha quando começou a desenhar e pintar?
Eu gostava de desenhar desde pequenino. Um dia minha professora primária comentou com minha mãe que eu desenhava bem e que seria muito bom para mim se ela me colocasse em um curso de pintura e desenho. Aos nove anos de idade minha mãe me colocou em um curso para crianças na Società Italiana di Beneficenza, em Santos.

Quando você percebeu que queria ser desenhista profissional?
Quando eu era estudante de arquitetura já percebia claramente que eu queria ser um ilustrador voltado, principalmente, para a literatura infantil.

Ouvi dizer que você gosta tanto de ilustrações infantis, que tem algumas tatuadas no corpo. Que ilustrações você tatuou? São de sua autoria?
Tenho ilustrações de personagens dos meus livros. Na minha mão direita tenho o castelo com o “Reizinho que Só Falava Sim” dentro dele e também a onça pintada do livro “Ki-Som-Será?”. Na mão esquerda tenho a anta de “O Livro da Com-Fusão”, e no pescoço a girafa do livro “A Pinta Fujona”.

Quais técnicas você usa para pintar e desenhar?
Há muitos anos que toda a minha pintura é digital. Utilizo caneta digital e desenho direto em um tablet, utilizando um software voltado à pintura, o Painter.

O que você ainda não desenhou, mas morre de vontade?
É uma história que eu já tenho as primeiras ideias. São pessoas e bichos que têm em suas cabeças uma espécie de bola transparente. Nestas bolas, todos os pensamentos e desejos são visualizados e podem serem retirados e trocados. Tenho muita vontade de escrever e desenhar esta história, que ainda não comecei.

Ilustração do livro "No Mundo do Faz de Conta" (Fê/ Divulgação)

Que outras atividades criativas você gosta de fazer?
Além de minha verdadeira vocação e paixão de desenhar e escrever para as crianças, adoro fotografar.

Quais são seus livros infantis preferidos?
“O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, “O Reizinho das Flores” e “O sol é amarelo” (“The Sun is Yellow”, em inglês), ambos de Kveta Pacovská.

Que dica você daria para uma criança que quer desenhar cada vez melhor?
O mais importante é sempre desenhar, ser livre em sua criatividade, sem amarras, sem censuras, ou seja, ser criança, fazer do desenho a expressão maior de comunicação livre com o universo ao seu redor.

Leia também
Resenhas dos livros do Fê: “Brinconto”, “Ki-som-será?” e “No Mundo do Faz de Conta”