Os 13 Porquês

Antes de começar a resenha propriamente dita, algo precisa ficar claro para todas as pessoas: não importa o quão sensível, sincero ou bom amigo(a) você seja – se você não foi vítima de bullying, simplesmente não entende o que é estar na pele de alguém que passa (ou passou) por isso. Não se trata de falta de saber se colocar no lugar do outro. A sensação é difícil de explicar (porque normalmente parece boba e desimportante para as outras pessoas), mas deixa marcas profundas na personalidade de quem passou por isso para sempre.

Dito isso, posso começar a falar de “Os 13 Porquês”, livro de estreia do norte-americano Jay Asher, comprado na última Bienal. É bem verdade que tomei um susto quando comecei a leitura: sendo da Ática, com esse título e ainda com uma arte interessante na capa, acreditei piamente (mesmo lendo a contracapa) que a história tinha mais a ver com a coleção Vaga-Lume do que com o soco no estômago que a trama se provou.

Clay chega em casa depois de um dia de escola e recebe um pacote, contendo fitas cassetes com números em cada um de seus lados. Não há remetente, o que atiça sua curiosidade em descobrir o que há ali. E logo nos primeiros segundos do cassete 1 seu mundo quase vem abaixo – a voz que ele ouve é de Hannah, garota de sua classe que se matou há alguns dias (e também seu interesse amoroso). Segundo a menina, só estão escutando essas fitas as pessoas que fazem parte da lista de 13 que, de alguma forma, a influenciaram para que tomasse a decisão de tirar a própria vida. O jogo é escutar todas as fitas e encaminhar para a próxima pessoa a ser citada depois de você.

O garoto logo vai perceber que não poderá escutar as fitas em casa, então dá um jeito de conseguir um walkman, para que possa refazer os passos citados por Hannah, que começam quando ela chega à cidade em que se passa a trama e continuam conforme ela vai ganhando uma reputação que não é verdadeira. A situação vai ganhando proporções aterradoras conforme as fitas são ouvidas, deixando o leitor angustiado, porque sabe como a história dela terminou.

Asher constrói o texto de forma que Clay “conversa” com a voz da garota, fazendo com que o texto flua bem, sem monólogos. Seja pelo lugar que serviu de cenário para os fatos, seja pelas lembranças do garoto sobre a mesma situação sobre a qual ela fala, quem lê vai assistindo ao triste drama de uma adolescente que tentou superar humilhações, pediu ajuda, se afastou das pessoas que realmente gostavam dela e resolveu acabar com tudo.

Apesar do tema indigesto, “Os 13 Porquês” faz um belo retrato do “efeito borboleta”. Uma ação que desencadeia uma série de outros acontecimentos, todos se conectando e, neste caso, decretando o fim consciente de uma existência.

 

Os 13 Porquês
Jay Asher
Editora Ática
254 páginas

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    1. O Ladrão de Raios — Bússola de Livros

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