“Gosto de bicho livre”, diz autor de “Formigas”

(Foto: Elizângela Azevedo/ Divulgação)

O livro “Formigas” me fez lembrar do começo da minha adolescência. Naquela época, eu tinha como um ritual quase diário preparar um lanchinho da tarde pra mim mesma. Por volta das 4 horas, eu colocava o sanduíche na lancheira quente (aquelas do tipo “tostex”) e ficava de bobeira, observando detalhes da cozinha. Não raro, eu aproveitava esse tempo morto olhando para o cantinho da pia, por onde costumava passar uma fileira de formigas obstinadas – as que mais atraiam minha atenção eram as que carregavam alimentos ou folhas nas costas. Encontrei neste livro do poeta mineiro Mário Alex Rosa uma pergunta que passava pela minha cabeça naquelas tardes: para onde elas vão?

Nunca passei pela experiência do filme “Querida, Encolhi as Crianças” para ver o mundo da perspectiva desses insetos minúsculos e poder entrar nos buraquinhos misteriosos por onde elas passam. Mas tudo bem, talvez seja melhor manter essa pergunta intrigante no ar… O autor de “Formigas” talvez concordasse comigo. O fato é que Rosa colocou esse momento corriqueiro de observar uma fila de formigas como centro da narrativa. Eu gostei e me identifiquei com a ideia. Sim, as formigas são inspiradoras! Em entrevista ao Bússola de Livros, o autor Mário Alex Rosa fala sobre outros bichos que lhe roubam a atenção, como gato, passarinho e até pulga: “Gosto de bicho livre”, diz. Também cita os livros infantis de que mais gosta e conta uma memória marcante de sua infância. A resenha curtinha sobre “Formigas” pode ser lida aqui.

Você costuma ou costumava observar o caminho das formigas?
Sim, sempre observei os caminhos das formigas, como de outros bichinhos. Observar a natureza dos bichinhos é um privilégio não só para os biólogos, mas para os poetas também. Pelo menos para mim é uma alegria saber que tão naturalmente posso ganhar poesia deles.

Para você, o que existe de mais poético nas formigas?
A comunicação de suas anteninhas, tão certeiras!

Como e onde você estava quando deu o estalo para este livro?
Estava no ponto de ônibus esperando-o, quando olhei um conjunto de formigas levando folhinhas para algum lugar, aí me veio a ideia. Num mundo onde as pessoas andam muito de carro, ou só de carro, podem perder esses privilégios, sobretudo numa cidade grande como Belo Horizonte.

Que outros bichos te inspiram?
Além das formigas, gato, pulga, passarinho, elefante, tartaruga, aranha, foca, etc. Gosto de bicho livre.

Por que você se tornou poeta?
Não sei se me tornei poeta, mas sei que gosto muito de poesia.

Você escreve poesia desde que idade?
Desde os 15 anos de idade.

Cite uma memória poética da sua infância.
Meu pai levando maçãs naquele papel lilás para mim no hospital, quando estive internado com pneumonia.

Que recomendação você daria para um jovem que quer escrever poesia?
Curiosidade em querer descobrir o mundo das palavras.

Você gostava de ler quando era criança?
Gostava, mas foi na adolescência que efetivamente descobri que lendo um livro me sentia confortado em mim.

Quais são os seus livros infantis preferidos?
“Arca de noé”, de Vinicius de Moraes, “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, “Batalhão das Letras”, do Mario Quintana, “Olha o bicho”, do José Paulo Paes — aliás, todos do Paes. Não vou citar nenhum especifico, mas a editora CosacNaify tem publicado alguns livros infantis geniais.

Quais são seus novos projetos?
Reeditar o meu livro de poemas infantis “ABC Futebol Clube e outros poemas” (2007), com nova ilustração e projeto gráfico. Publicar o infantil “ZOO de MIM”. Continuar lendo muita poesia.