Cachtánca

Resenha que escrevi para a Folhinha, caderno infantil da Folha de S. Paulo, publicada em 15 de junho de 2013.  Infelizmente, no mesmo dia da publicação da resenha, soubemos que Tatiana Belinky, escritora que traduziu o livro para o português, morreu em São Paulo, aos 94 anos. Tatiana vai deixar muita saudade…

Só de imaginar a sensação de ficar sozinho no mundo dá um frio na barriga, não dá? No conto “Cachtánca”, o famoso escritor russo Anton Pávlovitch Tchékhov  descreve como uma cadelinha se sente após se perder do seu dono, um marceneiro, no fim de uma tarde fria. Cachtánca é o nome da personagem, uma mistura de bassê com vira-lata, que tem o focinho parecido com o de uma raposa. Solitária e faminta, ela se encolhe sobre a neve fofa até ser acolhida por um adestrador de circo.

Na nova casa, convive com outros bichos: um gato preguiçoso, um ganso tagarela e uma porca feiosa chamada Khavrônia Ivánovna (os três têm nomes russos compridos!). Cachtánca também ganha uma cama, novos hábitos e aprende truques circenses.

O leitor acompanha com detalhes as descobertas da cadelinha e sua confusão de sentimentos ao se lembrar de seu antigo lar. Ela se torna tão próxima e real, que dá vontade de pular nas ilustrações coloridas e pegá-la no colo…

O conto, velho conhecido das crianças russas, foi publicado pela primeira vez em 1887. Outra coisa legal: a tradução para o português é da escritora Tatiana Belinky, que diz, no final do livro, ter se emocionado com esta história em seus tempos de menina.

CACHTÁNCA
Autor: Tchékhov
Tradução: Tatiana Belinky
Ilustradora: Rebeca Luciani
Editora: Globinho