Poesia na Varanda

Em Duas Dúzias de Coisinhas À Toa que Deixam a Gente Feliz, que já ganhou resenha neste blog, o autor Otávio Roth cita coisas do cotidiano que o encantam. “Queijo com goibada” e “beijinhos da namorada”, “menina loira com trança e “Dom Quixote e Sancho Pança” e outras rimas destacam alguns detalhes singelos que dão graça à vida.

“Poesia na Varanda”, da escritora Sonia Junqueira e do ilustrador Flávio Vargas, também fala de situações simples que são, ao mesmo tempo, especiais: um alecrim que brota no chão, uma gatinha amarela que chega de mansinho, a companhia de um amigo e as palavras contidas nos livros. A autora usa poesia para falar sobre poesia e descreve em versos como esses momentos simplesmente acontecem. Quem sente essas lufadas poéticas é uma garotinha simpática com cabelos cor de caramelo.

Em “Duas Dúzias”, as “coisinhas” que o autor destaca são motivo de alegria pelo simples fato de existirem. Estão na nossa cara, basta notar o quanto elas são capazes de melhorar o nosso dia.

Já em “Poesia na Varanda”, a autora trata de algo fluido. A poesia toma a forma das coisas (gato, alecrim, livros etc), mas nunca sabemos quando ou como ela vai aparecer. Tem vida própria, pode aparecer de repente em circunstâncias alegres ou tristes. Não temos controle sobre ela, só podemos senti-la. Por isso, às vezes, a narradora vai à varanda e espera para saber notícias dessa companhia tão inesperada quanto bem-vinda.

Canções da infância

Fiquei com a impressão de que a autora usou referências de cantigas, como os hits de infância “Alecrim dourado” (“um pé de alecrim que dourou a minha vida”, cita a narradora), “Atirei o pau no gato” (a gatinha é batizada de Chiquinha) e “Se Essa Rua Fosse Minha” (há menção a “pedrinhas de brilhantes”). E devem ter outras que podem ser lidas nas entrelinhas por quem as conhece.

Quanto às ilustrações, gostei das texturas diferentes, especialmente a das páginas que mostram a garotinha lendo livros. Ela aparece vista do teto, deitada sobre um tapete colorido e um chão marrom que parece pintado de giz de cera. Os materiais usados na composição (entre eles o usado na bola estampada com estrelas e o das capas dos livros) formam, juntos, um cenário criativo. Também vale citar a página em que a personagem está sozinha na chuva, com gotas que parecem traçadas com giz de lousa caindo sobre sua cabeça; e  a gatinha amarela chamada Chiquinha (que ilustra a capa) , que parece mesmo uma “bola peludinha”, tal como é citada no texto.

 

Mais:
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POESIA NA VARANDA
Autora:
Sonia Junqueira
Ilustrador: Flávio Fargas
Editora Autêntica
26 páginas

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