Pai, Não Fui Eu!

Quando uma garotinha de nariz (bem) protuberante e cabelos cor-de-rosa aparece na sua frente, fica difícil desviar o olhar. Foi o que aconteceu comigo dia desses na livraria enquanto eu fuçava as prateleiras “sem compromisso”.  À primeira vista, a criança me pareceu um monstrinho, desses bem simpáticos, e fiquei curiosa para saber o que essa personagem curiosa da capa fazia com um livro nas mãos. Ao folhear, fiquei encantada pelas ilustrações. As páginas são todas emolduradas e até me lembraram dos meus antigos papéis de carta da infância – daqueles que eu guardava em uma pasta e, eventualmente,  levava para trocar com as amigas.

Em algum momento, fui parar nas páginas em que a garotinha fica diante da estante de livros e, por um segundo, me pareceu uma imagem em 3D. Levei o livro para casa! Foi só uma impressão, é preciso reforçar.  A ilustradora AnnaLaura Cantone (isso mesmo, AnnaLaura é escrito junto), nascida na Itália, soube destacar tão bem os livros na estante que parece possível para os leitores puxar alguns deles. E mais: as capas estampadas dos livros parecem customizadas com tecido, o que faz com que chamem ainda mais a atenção.

As estampas, aliás, estão presentes em outros momentos da edição, tanto para realçar as roupas dos personagens humanos quanto do corpo dos bichos. E, falando em personagens, todos têm formas engraçadas, nada realistas. A garotinha é um exemplo, mas há vários outros: tem o pai, que tem costas curvas e imensas e pernas bem finas; o coelho, que parece um brinquedo de dar corda e tem rodinhas em vez de patas;  e o leopardo, que tem um nariz grosso e curvado no lugar do focinho e um corpo completamente arredondado.

Enfim, deu para perceber que o trabalho da ilustradora tem personalidade e é divertido. Já a história, assinada pelo autor premiado Ilan Brenman, tem uma premissa simpática: a garotinha do título derruba um livrão da estante de estimação do pai e, para se safar da bronca, coloca a culpa em um leopardo.  O autor explica que a ideia surgiu de uma situação real, vivida entre ele e sua filha. Só não me encantei especialmente pelo desenvolvimento da história. A explicação da garotinha acabou ficando muito longa e, infelizmente, não segurou minha atenção até o final. Distraída com o colorido e os detalhes das ilustrações, acabei tento que voltar páginas para me ater ao texto. No final, o autor aposta em uma “pegadinha” para dar uma graça extra à trama. Ainda assim, não fiquei impressionada – me pareceu até um recurso manjado -, mas acho que pode provocar risadas nos leitores mais novinhos.

Abaixo, dá para dar uma espiadinha no material deixado pela Companhia das Letrinhas  no site oficial.


PAI, NÃO FUI EU!
Autor: Ilan Brenman
Ilustrações: AnnaLaura Cantone
Editora: Companhia das Letrinhas
40 páginas

 

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