Me Dê um Conselho

A matéria abaixo, escrita por mim, foi publicada no site Meus 5 Minutos. O link da matéria é este e mostra alguns dos conselhos em forma de enquete. Publico aqui só o texto, sem o conteúdo extra.

Há alguns anos, ao visitar exposições de suas próprias ilustrações, o designer Daniel Motta teve a ideia de fazer Me Dê um Conselho, livro com lançamento previsto para 15 de junho. As páginas são recheadas de recados obtidos de uma maneira peculiar: ao longo de 18 meses, Motta saiu por São Paulo munido de uma urna, folhas de papel e uma caneta. Deixou o material em pontos movimentados e, à distância, observou as reações à frase que virou título da edição, escrita nas laterais da caixa. Os passantes eram instigados a participar e, anonimamente, escrever seus pensamentos. “A proposta não é sociológica nem nada. É leve e despretensiosa”, disse o designer em entrevista ao Meus 5 Minutos.

Com milhares de conselhos em mãos, ele começou a seleção para as 256 páginas do livro. Na seleção, há temas semelhantes, como as mensagens religiosas ou de auto-ajuda, e outros “soltos”. Ou os que ganham força por associação – é o caso dos conselhos “compre um carro” e “vá de bike”, que, colocados lado a lado, parecem dois lados de uma discussão bem paulistana (e quente) sobre trânsito. Entraram ainda mensagens políticas – com direito a xingamentos –, desabafos amorosos e até uma sugestão de suicídio. Por opção, a grafia dos conselheiros foi mantida, assim como erros de gramáticas e palavrões.

O que mais chama a atenção é o humor da maioria das mensagens. “Jamais use uma frigideira nu” é uma das preferidas do autor. “Gosto dos [conselhos] inusitados que, ao mesmo tempo, têm sentido”, diz o designer. De fato, há recados sem nenhum sentido aparente (e nem mesmo palavras), como o desenho de um cachorro de formas, digamos, quase abstratas e o de um balão com olho, nariz e boca. Mas será que é preciso entender tudo? Como já diria um dos recados deixados na urna: “Não siga todos os conselhos que receber!”.

Livro de visitas
A faísca para o projeto Me Dê um Conselho surgiu em 2005, quando Motta exibiu em estações de metrô da capital paulista as figuras do seu primeiro livro, Poptogramas – uma espécie de quiz em que os leitores tentam adivinhar figuras de artistas da música desenhadas pelo designer. O artista ficou fascinado pelos cadernos deixados para que os visitantes escrevessem suas impressões. “Comecei a visitar os locais quase diariamente para ler o que as pessoas escreviam. Era hilário!”, conta o designer no prefácio de Me Dê um Conselho.

Tempos depois, ele arregaçou as mangas para reunir o conteúdo do novo projeto. Levou a urna para avenidas, ruas, praças e parques. Em alguns lugares, como a avenida Paulista, deparou-se com um público solícito. Em outros, enfrentou dificuldades. “Algumas vezes me dei mal. Topei com segurança querendo que eu fosse embora e até com tempo feio, que afastou as pessoas de um dos parques.”

Além da compilação nas ruas, Motta diz que fez um experimento restrito em casa, em sua festa de aniversário. Os amigos escreveram recados como anônimos. Alguns deles até entraram no livro, mas ele garante que não sabe a autoria. “Só desconfio”, diz.

Site oficial do livro
Livro reúne conselhos das ruas de SP. Um deles: “Jamais use uma frigideira nu”

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