Eu quero acreditar no mundo

“Sábado na Livraria” é daqueles títulos que você, adulto, lê rápido parado na frente da estante da loja de livros. O texto é curtinho, a história é linear, as ilustrações são bonitas, mas não detalhistas a ponto de você ficar muitos minutos na mesma página. Mas não importa. Uma vez que passe os olhos por ele, a vontade é levar o livro pra casa e tê-lo sempre por perto pra reler naquelas horas em que a gente deixa de acreditar no mundo.

 A trama acompanha uma garotinha que aos sábados (às quartas, no original, fazendo referência ao dia livre das crianças na França) vai à uma mesma livraria e lá encontra sempre um senhor que está lendo sobre a batalha do Marne.

O livro é pesado, grande e eventualmente o faz chorar. Para a garotinha, é um contra-senso: porque continuar se dedicando a uma leitura que não é prazerosa? Mesmo sem se conhecerem oficialmente, há uma cumplicidade extremamente sensível entre os dois.

Com a proximidade do Natal, algo muda, e para mim, mora aí o segredo de como o título faz com que velhas crenças renasçam dentro do leitor. E, nasce assim, inadvertidamente, uma nova pequena adoradora de livros.

Uma graça, bem editado, e ainda com a delicada alteração permitida pela autora de que o título fosse alterado para condizer com nossos hábitos nacionais.

 

Sábado na Livraria
Sylvie Neeman
32 páginas
Cosac & Naif

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    1. Rosita y Conchita — Bússola de Livros

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