Túnel do Tempo 2: ilustrações de Odilon Moraes

Ilustração do livro infantil "A Princesinha Medrosa", de Odilon Moraes

Outro texto que encontrei na minha caixa de e-mail foi uma matéria curtinha sobre os bastidores de um livro ilustrado de Odilon Moraes. Na época – a data de publicação é de 17 de março de 2009 -, fui acompanhada do fotógrafo no ateliê do autor/ilustrador, que estava preparando “O Presente” e tinha acabado de relançar a segunda edição de “A Princesinha Medrosa”  (deste último, temos a resenha no Bússola de Livros). Assim como a entrevista de Ana Maria Machado, o texto foi feito nos tempos em que eu trabalhava na área infantil do UOL e ainda está no ar – há uma galeria legal aqui e a matéria aqui.

Visita ao ateliê de Odilon Moraes (17/03/2009)

Como fazer uma boa ilustração de livro? Soltar a criatividade e contar uma história com desenhos são boas dicas, segundo o escritor e ilustrador Odilon Moraes. Afinado com pincéis desde criança (o pai é pintor de quadros), seus desenhos começaram a aparecer em livros infantis de outros autores até que, certo dia, resolveu assinar os seus, em texto e imagens.

Um deles é o premiado “A Princesinha Medrosa” (venceu a categoria Melhor Livro oferecido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), que ganha reedição (da editora Cosac Naify) neste mês. Lançado inicialmente em 2002, volta às livrarias com pequenos ajustes e um texto levemente mais enxuto. “Percebi que o gesto no desenho importava mais que a frase”, diz Moraes sobre algumas páginas.

Em traços delicados, a história mostra uma garotinha poderosa, que governa um reino mas tem medo de muitas coisas. Na tentativa de resolvê-los, ela cria regras absurdas, como a de que o sol brilhe o dia todo para evitar que a noite caia e traga a temida escuridão. Os súditos acabam acatando as normas da Princesinha, mas o medo só passa durante um passeio no meio da floresta, quando ela encontra um garotinho que a apresenta às estrelas que existem na imaginação.

Universo infantil inspira livros

A ideia para a trama, conta Moraes, foi inspirada em uma garotinha real, filha de um casal de amigos. Foi ela que, num dia em que o autor estava triste, apresentou-o a brincadeiras que alegraram seu dia, assim como o garoto das estrelas animou a vida da Princesinha.

Apesar de sua rotina não ser cheia de crianças (uma das poucas com quem ele tem contato é o filho, ainda pequeno), sua imaginação vai longe quando “bebe na fonte” do universo infantil. “Esta idade tem questões essenciais que desperta interesse nos autores”.

Para confirmar sua “tese”, menciona sorrindo algumas comparações que considera incríveis e que são típicas de crianças como: “Avestruz é a girafa dos passarinhos” ou “Reflexo é quando o rio se veste de árvore”.

Frases como estas, que inspiram o autor, aparecem também em forma de desenhos, para expressar ideias. É o caso de “Pedro e Lua”, outro livro de Moraes. Logo de cara, a frase “Pedro queria dizer pedra mas tinha a cabeça na lua” vem acompanhada de um desenho, em branco e preto, da cabeça de Pedro em formato de lua cheia, complementando o texto de forma divertida.

A linguagem dos desenhos, também “lida” pelas crianças, ganha ainda mais destaque no novo livro imagem do autor, ainda no forno. O título “O Presente” mostrará um pequeno torcedor de futebol que ganha do pai a camisa “colorida” do seu time (a camisa é a única que tem cores vibrantes no livro). As expressões e o “achado” do verdadeiro presente do garotinho são acompanhados por meio de desenhos, mostrados com exclusividade ao UOL Crianças.

Como são feitas as ilustrações?

As ilustrações de livro passam por um processo. O de Odilon Moraes tem algumas etapas (ele diz que cada ilustrador e editora tem uma maneira de trabalhar e que, por isso, conta como funciona apenas a dele). Primeiro ele faz um “boneco”, uma espécie de livrinho de rascunhos para os desenhos que irá fazer. No caso do texto ser de um outro escritor, ele estuda a leitura, sempre pensando nos desenhos como um complemento à história. “O ilustrador usa o desenho para se expressar”, diz, lembrando que, assim como o autor do texto, o ilustrador faz um trabalho autoral.

O “boneco” já tem o corte de papel que terá o livro e que é definido com a editora, que aprova (ou não) os desenhos. Aprovadas, as ilustrações são passadas para outro papel para ganhar cores com aquarela (no caso de Moraes, mas há autores que usam outros materiais, como colagens ou massinhas). Os traços do “boneco” são passados para o papel de aquarela com a ajuda de uma “mesa de luz”, uma mesa com uma lâmpada embaixo, que ilumina o papel. Depois, o livro é montado e vai para a gráfica, para ganhar o formato final, que vemos nas livrarias.

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