Morango Sardento

Em outro post, já comentei da minha recente compra online de livros em uma dessas promoções de sites de editoras. No passeio virtual pelo catálogo, tive a impressão de que a capa, mais do que na compra “ao vivo”, é determinante para ganhar nosso clique definitivo. Sim, porque não dá para dar aquela folheadinha marota – até daria para dar uma busca na web sobre cada edição, mas são tantas, que eu me rendo mais facilmente pela capa, confesso. Ou, como no caso deste livro, me rendo a um autor de cujo trabalho eu gosto ou gostaria de conhecer.  Em “Morango Sardento”, o que eu conhecia  mesmo era o trabalho de Julianne Moore, que assina o texto, como atriz. E justamente por gostar, me deixei levar pelo peso (famoso) do seu nome e pela curiosidade de saber como ela se sairia na escrita.

De cara, digo que o livro é bem simpático. Um dos pontos positivos é o tom bem humorado com que o narrador descreve o complexo da protagonista por ter o rosto sardento e o bullying suave que sofre dos amigos. Em uma das páginas, por exemplo, as crianças fazem perguntas absurdas sobre as sardas da Morango Sardento, como “dói?” ou “deixa eu cheirar?”. Frases que, imagino, tenham deixado a própria Julianne Moore de cabelos (ruivos) arrepiados de raiva na infância. A história mostra ainda algumas estratégias divertidas da garotinha para esconder as sardas – como o infalível capuz no rosto que definitivamente esconde tudo, até mesmo sua identidade. As ilustrações da vietnamita LeUyen Pham, que começou sua carreira na Dreamworks, também são divertidas e a protagonista é muito graciosa.

Só não posso dizer que saí especialmente impressionada. Talvez porque falar sobre diferenças e aceitação de si mesmo na infância não seja tão novo – e, bem, acho que, sobre este tema, gosto mais de “Teresinha e Gabriela”, de Ruth Rocha. Além disso, foi novidade para mim saber que uma criança ruiva e sardentinha sofra bullying – eu sempre imaginei que fosse visto como algo superfofo por outras crianças e adultos. Mas, ok, entendo que até Julianne Moore tenha tido lá os seus complexos de infância – todo mundo tem os seus, né? E, embora não tenha criado uma história tão original e memorável, soube usar bem o humor para criar uma trama leve e divertida de ler.

MORANGO SARDENTO
Autora: Julianne Moore
Tradução: Fernanda Torres
Editora Cosac Naify
40 páginas

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