Ninhos de Aves Brasileiras

O empurrãozinho para este post foi dado, por incrível que pareça, por ninhos gigantes  acolchoados por dentro, criados por um designer sul-africano para acomodar gente. Qualquer pessoa, imagino, adoraria experimentar o aconchego dessa criação quase bizarra, mas bem simpática. Eu seria uma delas, certamente. Só não pude deixar de pensar que, se eu tivesse um desses ninhos na varanda de casa – o que é fisicamente impossível, mas vamos imaginar que daria -, eu faria uma seleção das pessoas que pudessem “preguiçar” dentro dela. No caso, todas elas, sem exceção, deveriam gastar alguns momentos de atenção em um livro injustamente desprezado da sala da minha casa.

Sim, essa é uma defesa voraz desse livro tão incrível que já viveu momentos de desprezo nas vezes em que eu, de boa vontade, sugeri a edição como passatempo às visitas sentadas (as que iriam esperar um pouquinho) no sofá. .As pessoas até bateram o olho, vez por outra levantaram as sombrancelhas num ar de “olha só!”, mas acabaram se deixando seduzir por outras distrações mais urbanas e famosas. Minha revolta assumia, secretamente, a forma de desdém, do tipo “não sabem o que estão perdendo!”

Mantendo a empáfia do parágrafo anterior, devo dizer que me orgulho de ter reconhecido a importância deste livro de imediato há alguns anos. Ao virar as páginas, o interesse só aumentou: a edição é recheada de informações claras e objetivas sobre ninhos de várias espécies do Brasil, em textos curtos, com fotos de cada um deles.  A pesquisa dos autores Dante Buzzetti e Silvestre Silva é realmente admirável e está exposta de um jeito atraente e instigante. Não sou bióloga e vivo longe da natureza em sua forma mais bruta (da minha janela só vejo um coqueiro solitário do jardim do prédio), mas nem é preciso ser do “meio” para se deixar levar página após página. Além de ter uma organização eficiente para prender a atenção, há a inteligência instintiva dos bichos para impressionar o leitor.

Há, por exemplo, os engenhosos ninhos dos beija-flores, capazes de fazer casinhas em pontas de folhas com vários materiais – o beija-flor-grande-do-mato consegue montar a sua com raízes trançadas, folhas secas, teias de aranha e ainda enfeitá-la com liquens cinzentos. Há ainda o incrível ninho do pássaro chamado patinho, que parece um trabalho de escola com papel machê que eu fiz na 5ª série. Só que bem melhor elaborado e mais difícil de fazer: ele usa folhas secas de taquarinhas –coladas uma a uma, para dar rigidez à construção. Por dentro, para dar aquela amaciada, ele ainda forra o ambiente com crina vegetal. Tem também a “bolsa” do japu, uma estrutura que fica pendurada em galhos, e uma “tigela” que pode ser feita diretamente sobre o solo pelo tico-tico. E há muitos, muitos outros tipos de ninhos para ver em mais de 200 páginas.

Cheio de fotos e com a combinação de qualidades descrita acima, o livro é rápido de ler e fácil de entreter em qualquer lugar (eles deveriam até ser opção de leitura desse ninho gigante de decoração). Por isso, a minha saga em prol da atenção das visitas de casa para “Berços da Vida – Ninhos de Aves Brasileiras” continua. De repente com este texto até ganhei adeptos para a campanha!

BERÇOS DA VIDA – NINHOS DE AVES BRASILEIRAS
Autores: Dante Buzzetti e Silvestre Silva
Editora: Terceiro Nome
248 páginas

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