Misturando casmurrice com aliens

Já distanciada de todo o stress do TCC da pós, posso finalmente falar do livro que acabei usando como tema sem ter um tilt.

A série “Clássicos Fantásticos” da Leya aproveitou o nascimento dos mashups na literatura estrangeira e convidou alguns autores brasileiros para misturarem temas fantásticos com livros importantes da nossa língua. “Dom Casmurro e os Discos Voadores” é um deles. Escrito por Lúcio Manfredi (e Machado de Assis, óbvio), o texto mistura de uma forma deliciosa (e respeitosa) OVNIs e a história de Bentinho, Capitu e cia.

Na trama, que corre na mesma sequência do texto original, conhecemos Bentinho, garoto cujo destino já foi traçado pela mãe: vai ser padre. Além da falta de vocação, o amor recém descoberto pela vizinha, Capitu, fazem com quem o garoto não queira de forma alguma esse futuro para si próprio. O que ele não imagina é que a vizinha, e seus famosos olhos de ressaca, seja, efetivamente de outro planeta. E não vai ser apenas a garotinha da casa ao lado que terá um pezinho em outra galáxia: outros personagens da trama vão também mostrando ser humanos “diferentes”, digamos.

Além de citações pop bem colocadas (como fã eterna de “Arquivo X”, fui à loucura quando li um inocente “a verdade está lá fora”), uma das coisas mais simpáticas do texto é que para Bentinho, tudo aquilo soa tão estranho como poderia ser para um carioca de meados do século 19. Assim, a primeira vez que Capitu fala algo sobre um nanoprogramador instalado em uma medalhinha dada ao protagonista pelo padre Cabral, Bentinho não só não entende absolutamente nada como ainda acha que a garota eventualmente não fala coisa com coisa.

Vale bastante a leitura, ainda mais pelo paralelo com toda a mitologia (?) maia sobre o ano de 2012.

Comente: