Vencedor do Oscar: curta animado sobre livros

Cena do curta-metragem "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" (Reprodução)

O Oscar já passou – e suas inúmeras análises também -, mas vou aproveitar o que sobrou do burburinho da premiação para destacar um dos vencedores (pouco comentado por essas bandas, aliás). Durante a cerimônia ok exibida no último domingo (foi melhor que a de 2011, mas, apesar de momentos engraçadinhos, passou sem ousadias), chamou minha atenção o anúncio do vencedor dos curtas-metragens de animação:  “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”.  O título sugere algo fantástico que está, literalmente, no filme: há mesmo livros voadores. Eles são, aliás, personagens capazes de interagir com o protagonista, Mr. Morris, amante da leitura. Sabemos disso logo nas primeiras cenas, quando ele aparece com livros na varanda de uma casa, até se ver dominado por um furacão – uma referência, vi depois, ao Katrina, que devastou Nova Orleans, em Louisiana, nos EUA, há alguns anos. Ao caminhar pela cidade cinzenta após a destruição, o personagem vai parar numa espécie de biblioteca gigante, cheia de livros “carentes”. Ele logo se sente à vontade e passa a conviver com capas que abrem sozinhas e páginas capazes de se comunicar por meio de ilustrações. Não há falas no filme. Acompanhamos a história apenas pelas expressões dos personagens. E fica fácil perceber que o rapaz solitário se sente em casa na biblioteca, rodeado por livros (por um segundo, cheguei a me lembrar do saudoso José Mindlin, nosso bibliófilo mais famoso, às voltas com edições raras de sua biblioteca particular).

Enfim, quando soube que a história tratava de livros, fui procurá-lo na web (onde mais?). Bem, o curta é mesmo muito bom e expressivo! Ao bater o olho, me fez lembrar das produções da Pixar. É compreensível a percepção.  Seu criador, William Joyce, que assina o roteiro e a co-direção (o outro diretor é Brandon Oldenburg), é ilustrador experimente na área e já participou de animações conhecidas de grandes estúdios, incluindo  “Toy Story” (ele fez parte da equipe de criação). Outra informação interessante para este blog: Joyce também é autor (renomado) de livros infantis. Em uma busca, achei uma entrevista interessante dele, em inglês, sobre sua trajetória e sobre sua inclinação para o desenho logo na infância – ele até cita, com orgulho, o incentivo decisivo de professores e de seus pais para que ele levasse adiante uma carreira pouco valorizada na época. Joyce tem como crédito, ainda, séries infantis para a TV, e é um dos fundadores do estúdio Moonbot, recém-criado – e, agora, já premiado com o Oscar. Ao criar “Flying Books”, vale dizer que o estúdio lançou uma versão em eBook para iPad, superelogiada (fica a dica para quem já tem tablet). Abaixo, o curta vencedor do Oscar.

Mais sobre William Joyce

 

 

 

5 Comment

    Heloisa Dall'Antonia

    Queria comentar, dona Thaís, que chorei com esse curta, tá? ;-)

    29 abr 2012 | Responder

    • ahaah acredito, Helô. Se tivessem bonequinhos dos livros do curta por aí, aposto até que você colecionaria :)

      30 abr 2012 | Responder

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