Parisiense

Digo desde já que não sou especialista em moda, embora pare o olho em novidades de desfiles ou editoriais de revistas vez por o outra. Também não me definiria como uma pessoa  ligada em novas coleções das marcas e que usa palavras como “dress code” ou “must have” nas conversas pessoais.

Na verdade, minha curiosidade sobre o assunto não está tão próxima assim das passarelas e menos ainda do apelo consumista da indústria da moda (tipo, fazer questão de comprar a coleção recém-lançada). Geralmente prefiro ver as fotos dos estilos das ruas pelo mundo, como as pessoas coloridas no Japão ou os cachecóis elegantes na Europa. Acho divertido e às vezes até inspirador. Gente como a gente que se diverte e (por que não?) se expressa com roupas que fogem do jeans e camiseta básica ou do “arrumadinho escritório”.

E, especialmente para um pedestre, há sempre as ruas, onde, aí sim, se vê de tudo – e dá até para fazer a própria curadoria com os olhos e escolher os supostos acertos e erros (dos outros, claro) mentalmente. Ou simplesmente imaginar o jeito das pessoas a partir das roupas. Sim, porque a escolha também é algo tão rotineiro quando intrigante. Imaginar aquilo que nos faz optar por aquelas cores, aquele comprimento ou decote e etc.

Enfim, tudo isso para dizer que não, não sou especialista. Mas que sim, o tema tem estes e outros pontos que me chamam atenção. E talvez por isto, quando o livro “Parisiense” me caiu nas mãos, dediquei com boa vontade alguns minutos a ele.  À primeira vista, pensei que entrariam alguns pontos históricos contextualizando por que algumas peças passaram, em tais momentos, a ser usadas pelas mulheres de Paris. Mas não encontrei nada nesse sentido.

Em geral, o livro é apenas um manual onde as autoras Ines de La Fressange e Sophie Gachet dizem que tipo de roupa é legal ou não e quais são as maneiras certas e erradas de usá-las. Escrevem, com certa pretensão, em nome da “parisiense”, essa abstração descrita de forma vaga ao longo do livro. A parisiense é,  por exemplo, “alternativa e burguesa”, segue a moda mas também gosta de transgredi-la. Mais adiante, outra descrição pouco esclarecedora e um tanto em cima do muro:  “seguir as tendências é tudo o que a parisiense detesta, mas ela deve saber o que é in”.

Ao longo das páginas, também tive a impressão de que elas escolheram esse título por conveniência, pois nada me pareceu diferente nas parisienses do que em outras mulheres ditas “finas e antenadas” de outros lugares do mundo. Mesmo tendo achado algumas fotos do livro elegantes, ainda sim não encontrei nada original. E, quanto ao texto, me incomodei com a considerável quantidade de regras que elas estabelecem para as leitoras, ditando inclusive como é preciso usar determinada peça com o intuito de surpreender (o que me parece um contrasenso) e usando tom pedante em algumas “lições”, especialmente das coisas que “não se deve usar”.

Como percebi logo na primeira parte que não me interessaria adotar o estilo da parisiense vaga, autoritária e por vezes confusa (ela não decide se quer ou não gostar de tendências ou ter “ídolos”, por exemplo) criada pelas autoras, os outros capítulos não me animaram muito. Tentei insistir olhando algumas sugestões de maquiagem, de lojas “descoladas” de Paris e até de como fazer um jantar “perfeito” em casa. Mas a minha opinião negativa sobre o conceito do livro não mudou. Definitivamente, a ideia de um manual com dicas de como se vestir, agir, onde ir e onde fazer compras não me cativa.

PARISIENSE
Autoras: Ines de la Fressange e Sophie Gachet
Editora: Intrínseca
240 páginas

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