Esqueletos e surpresas em armários

O grande problema de se aventurar numa pós-graduação é o momento da preparação do trabalho de conclusão de curso. Cada minuto – na cabecinha perturbada desta aluna que aqui escreve – podia estar sendo ocupado com uma pesquisa relevante sobre o tema (que mudou no início do mês passado, aliás). Mas isso é um pedido de desculpas pela ausência e não tem nada a ver com a resenha de ‘100 Armários’, de N.D. Wilson, publicado aqui pela Rocco.

Ou talvez até tenha. De certa forma, ao menos.

Na trama, Henry York é um garoto de 12 anos que vai morar com os tios, Frank e Dotty, numa cidadezinha de nome Henry, no Kansas. Acostumado apenas ao cotidiano do colégio interno em que estudava – e a uma vida superprotegida -, o menino passa boa parte do tempo se sentindo mal por não estar preocupado com a situação de seus pais, que foram sequestrados por guerrilheiros enquanto trabalhavam em um país na América Latina. Ao mesmo tempo, o protagonista sabe que se existe a chance de um ‘momento da virada’ em sua vida, ele a está vivenciando.

Docemente acolhido pela família, também composta das primas Penny, Anastácia e Henrietta, o garoto é alojado num quarto no sótão. Já na primeira noite, Henry percebe que há algo estranho na casa, quando durante a noite vê um homem que não conhece saindo do banheiro e entrando no quarto de seu avô, trancado desde a morte dele, dois anos antes. Mas a presença do estranho não é nada comparada a descoberta de que uma das paredes de seu quarto esconde uma série de pequenas portinhas de armários. Cada uma delas, ele e Henrietta, em segredo, descobrirão depois, leva a um lugar diferente, alguns normais, outros mágicos, e como poderia se esperar, alguns extremamente sombrios.

Mesmo sem muita certeza do que deve fazer, Henry pressente o perigo quando sua curiosa prima resolve abrir uma determinada portinha, que esconde não apenas uma criatura maligna como também a resposta a várias dúvidas que o menino nem sabia ter. Assim, ‘100 Armários’ apresenta não apenas uma viagem fantástica por mundos desconhecidos, mas também uma jornada pelo autodescobrimento (e todas as dores e delícias de se ser quem é).

Bem escrito (Wilson é professor de literatura) e denso, o livro é o primeiro de uma trilogia que deve ser adaptada para o cinema –óóóóbvio – no ano que vem. Vale muito a leitura.

Comente: