Meus cinco livros preferidos da série Vagalume

Há algumas semanas, durante uma conversa sobre os livros que mais me marcaram, notei que minha lembrança tinha dado um salto exagerado de maturidade. Eu citava títulos infantis e pulava para os adultos, como se houvesse uma lacuna entre “Marcelo, Marmelo, Martelo” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Lacuna injusta, percebi logo.  Em meio às duas fases havia outra, cheia de livros de aventura. Aos poucos, eles foram aparecendo na minha memória e a maioria tinha um ponto em comum: faziam parte da saudosa série Vagalume.

Chuto que essa coleção amenizou o mau humor da pré-adolescência de muita gente. Muitos da minha geração (as crianças dos anos 1980 e início dos 90) ao menos ouviram falar de “A Ilha Perdida” ou, como eu, já fixaram os olhos na prateleira da série em uma livraria ou na biblioteca da escola. Ou, no mínimo, têm alguma recordação visual das ilustrações das capas. Dá para não lembrar da de “O Cadáver Ouve Rádio” ou de “O Escaravelho do Diabo”?

Ok, vou falar só por mim. Sim, eu me lembro das duas e de várias outras muito bem! Uma vez que esse buraco negro na minha memória ficou claro, peguei a questão mais antiga e misturei com a mais recente. E fiz a lista abaixo, com os cinco livros que mais me marcaram da série Vagalume. A seleção encontrou alguns esquecimentos (já se foram uns 20 anos) e algumas surpresas, incluindo detalhes dos personagens ou do momento da leitura que vieram à tona. Em geral, foi prazeroso relembrar livros que me empolgaram bastante (eu gostava de verdade das histórias) e que certamente me empurraram para leituras mais complexas. Bom, vamos à lista. Abaixo, o meu Top 5, sem ordem de preferência ou cronológica:

A Ilha Perdida, de Maria José Dupré – Esta história foi uma das primeiras que li, provavelmente pelo boca a boca de outras crianças. Tudo bem, não era um fenômeno tipo “Harry Potter”, mas o livro tinha lá seus leitores mirins.  Eu devia ter cerca de 8 anos e achei incrível imaginar dois garotos sozinhos numa ilha, à la Robinson Crusoé. Outra parte que me fascinava era a da jangada. Primeiro porque tive que descobrir o que a palavra significava; depois que descobri, a euforia só aumentou. Como assim eles mesmos construíram uma jangada no meio da floresta e navegaram sobre ela?!

Maria José Dupré, eu soube depois, escreveu dois outros livros que eu adorava quando era ainda mais nova: “A Montanha Encantada” e “O Cachorrinho Samba”. O primeiro li duas vezes e me lembro de vários detalhes (até o que eles levavam na cesta de piquenique), apesar de ser muito criança na época. Mas isso fica para um outro post, pois até onde eu sei nenhum destes dois títulos fazem parte da Vagalume.

O Enigma da Televisão, de Marcos Rey – Eu tive vontade de ler este livro por um bom tempo, mas o título, o desenho da capa e a sinopse (falava em assassinatos!) meio que me aterrorizavam.

A curiosidade venceu o medo, enfim. E ela era tanta que eu não me contive: logo depois de comprar e antes de começar a ler a primeira página, avancei para o final para ver quem era o assassino. Se me arrependi? Muito! Mas gostei do livro mesmo assim. Só o fato de os assassinatos acontecerem em uma emissora de TV já me deixava fascinada.

E o autor, bem, era dono de vários hits da coleção. Ao menos é o que escuto por aí, das recordações das pessoas. Há ainda fãs que o seguiram na fase adulta e adoram seus livros.

Sozinha no Mundo, de Marcos Rey – Bom, a capa trazia o desenho de uma garota com cabelos longos, lisos e escuros (mais ou menos como os meus eram na  época em que li) e com um ursinho de pelúcia nas mãos. Me atraiu, claro. Mas, na verdade, a história prendia mais a atenção pelo suspense do que pela fofura.

A menina era órfã,  caía no mundo sem nem um amigo junto (como a dupla principal de “A Ilha Perdida”) e ainda era perseguida por uma mulher de óculos com aros de tartaruga que se fazia de assistente social! Não me lembro o final, infelizmente. E me dá até vontade de reler, para saber o que aconteceu e tentar entender por que eu ficava tão ligada nesta história.

A Turma da Rua Quinze, de Marçal Aquino – Eu me lembro bem desta capa e até há algo de “Os Goonies” – um dos meus filmes preferidos da infância – nela.  E tinha também um sumiço misterioso de um garoto, um casarão e uma turma de amigos – na época em que eu li, as turmas de amigos do bairro ainda existiam (ao menos no interior de São Paulo).

Este foi um dos últimos da série que seguraram minha atenção. Eu iria pisar em outro terreno – o das edições classificadas como adultas – pouco tempo depois.

Éramos Seis, de Maria José Dupré – Pensando bem, eu repeti dois autores no meu Top 5…Mas enfim, li este livro antes da novela do SBT – que, aliás, foi ótima, contrariando o histórico de novelas do canal. E achei bem comovente. Lembro especialmente de ter chorado quando Carlos, o filho da Dona Lola, morre na Revolução Constitucionalista e  de sentir uma certa angústia de ver a família envelhecendo e se dispersando. Confesso que o livro e a novela se misturam um pouco na minha cabeça e vejo muito a Lola como a Irene Ravache. Como ela foi ótima no papel, não me incomoda (o Othon Bastos, como Júlio, também merece elogios)…E vale a pena lembrar de uma das cenas finais (talvez a última), em que ela vai sair da casa onde criou os filhos. Ela ali, prestes a fechar pela última vez a porta da frente, olhando o imóvel vazio, vendo fantasmas dos filhos andando lá dentro…Mas, enfim, acho que isso valeria outro post e um DVD para rever a novela. De toda forma, além da história familiar, o livro traz um panorama histórico de São Paulo interessante até parar ser lido em escolas. Será que já é e eu não sei? Ok, isso também é outra discussão… (Por Thaís Fonseca)

 

7 Comment

    Muito muito muito bom, me enche de orgulho!

    12 out 2011 | Responder

  1. Camila

    Adorei o post! Gostava muito da série VagaLume quando era pequena (lembro que na Sala de Leitura da escola tinha vários livros da coleção). Dos que você listou só li “A Ilha Perdida”, mas também tenho “Éramos Seis” que pertence a minha mãe, entre outros títulos não listados aqui.
    Sempre tive curiosidade de saber quantos volumes constituiam a série, pois parecem ser tantos!
    Bom, parabéns pelo site. Espero retornar outras vezes.

    23 nov 2011 | Responder

    • Opa, brigadão Camila. E mande sugestões quando puder. Acho que “Éramos Seis” apareceu na estante de muita gente mesmo. Um dia até pretendo fazer um post sobre a autora, que me parece um pouco esquecida e até subestimada. Volte outras vezes sim;)

      23 nov 2011 | Responder

  2. paula

    na minha opiniao os 5melhores sao:
    a ilha perdida
    um enigma natelevisao
    um leao em familia
    a serra dos dois meninos
    vencer ou vencer

    16 jul 2012 | Responder

  3. Paula

    Vou ter que mudar,realmente esses não são os melhores livros,então os que escolhi são:
    A ilha perdida;
    Açucar amargo;
    Enigma na televisão;
    Meninos sem patria;
    o primeiro amor e outros perigos.

    Eu adooooooooooooooooooooro está coleção e os meus autores favoritos são o Luiz Puntel e Marcos Rey.

    17 jul 2012 | Responder

  4. RAPHAEL RAMIRES

    NOSSA , SINCERAMENTE NÃO ACREDITO NISSO TUDO QUE ACABEI DE LER..
    NOSSA
    DESCREVEU MINHA INFANÇI A TODINHA NA ESCOLA,ENSINO FUNDAMENTAL !!!
    MUITO BOM ,LENBRO ME BEM DA CORDENADORA DA BIBLIOTECA, CHAMVA-SE HUBINALVA!!! OTIMAS LENBRAÇAS ,EU ERA O UNS DOS MAS LISTADO NO LIVRO DE ASSINATURA,SOBRE LIVROS ENPRESTADO NA ESCOLA KKKKKK… TEMA PRINCIPAL AVENTURA

    30 out 2012 | Responder

  1. Séries inspiradas em literatura: Orgulho e Preconceito e Balzac — Bússola de Livros

Comente: