Aos 83 anos, Maurice Sendak lança “Bumble-Ardy”

Prestei atenção no nome de Maurice Sendak há poucos anos, quando começou o burburinho sobre a adaptação de “Onde Vivem os Monstros” para o cinema. Na época, envolvida com o lançamento do filme – cuja cobertura eu faria em Los Angeles um pouco adiante -, comprei o livro original antes de as edições em português chegarem nas livrarias. Não conhecia a história quando era criança, mas nessa leitura, já adulta, me surprendi (de um jeito positivo) com o lado “dark” do protagonista, uma criança como outra qualquer que vive uma confusão de sentimentos e passa um tempo convivendo com seus próprios monstros (the “wild things”, do título em inglês) .

Desde então, pouco tinha ouvido falar do autor, até ver a edição de agosto da revista Vanity Fair. Nela, Dave Eggers, justamente o roteirista de “Onde Vivem os Monstros”, assina um artigo sobre o lançamento de “Bumble-Ardy”, primeira edição escrita e ilustrada por Sendak após 30 anos de pausa. O tom de Eggers é parecido com o de Spike Jonze e de alguns atores adultos durante as entrevistas do filme, em 2009: há algo nostálgico e profundamente respeitoso no ar quando o assunto é o escritor.

Sendak, por sua vez, parece se importar menos com as reverências do que com a autocrítica. Aos 83 anos, ele rejeita o rótulo elogioso de “clássico” e não gosta de ser apresentado como um escritor de livros infantis do tipo “safe”. Algo coerente para quem, em suas obras, olha para o lado obscuro da experiência infantil. “Meu trabalho não é incrível, mas é respeitável. Não tenho falsas ilusões”, diz, numa fala que casa bem com o semblante sisudo da foto tirada por Annie Leibovitz.

Em “Bumble-Ardy”, conta a história de um porquinho de oito anos, deixado de lado pela família que, a certa altura, desaparece. Então passa a viver com a tia e, no aniversário seguinte, na falta de uma celebração, cria a sua própria festa. No incrível acervo da internet (e do youtube) ainda apareceu uma informação extra: Bumble-Ardy já havia dado sinais de vida, mas na forma de um menino, num curta exibido no Vila Sésamo nos anos 1970.

Por aqui, sem uma adaptação para as telas, pode ser que o livro não dê tanto o que falar. Para quem preferir antecipar a versão em inglês, o lançamento está previsto para setembro (na Amazon está disponível a compra antecipada).

O link da matéria da Vanity Fair: http://www.vanityfair.com/culture/features/2011/08/maurice-sendak-201108

One Comment

    1. A Invenção de Hugo Cabret — Bússola de Livros

    Comente: