Peter Pan Escarlate

Nostalgia e modernida em perfeito equilíbrio na Terra do Nunca

Não gosto de continuações diretas de histórias clássicas. Via de regra, a sequência tenta superar a obra anterior, inchando suas características e acabando por deformar totalmente o charme. Felizmente abro exceção para “Peter Pan Escarlate”. Lidando com terreno espinhoso, a escritora Geraldine MacCaughrean demonstra exímia habilidade literária e respeito com a obra de J. M. Barrie.

Sim, “Peter Pan Escarlate” continua as aventuras do menino que não cresce diretamente de onde o primeiro livro parou. Não, claramente não há intenção de fazer uma aventura ainda mais fantástica. Aqui, a história é uma mistura empolgante de homenagem e ousadia, na medidade em que a autora relembra fatos e personagens clássicos, atualizando-os de maneira coerente e colocando-os em situações novas e criativas. Ainda que divertido, o início demora a mostrar todas suas qualidades, focando mais em ambientar o leitor de volta à Terra do Nunca. Em certo ponto, o roteiro deixa de lado a nostalgia, arregaça as mangas e desfila uma série de locações e personagens vistosos, que condizem perfeitamente com o lugar, enriquecem a narrativa.

Mais brilhante ainda é a conclusão, que faz o óbvio, exatamente aquilo que se esperaria de uma continuação, mas o realiza de maneira tão surpreendente e empolgante como pouco se acontece. O excesso de novidades parece inflar demais a narrativa, mas Geraldine mostra porque ganhou do Hospital Infantil de Great Ormond Street a honra de dar nova vida à Terra do Nunca: o ritmo se ajusta na medida, sem se atropelar, dando a devida atenção a cada elemento. Uma continuação que ladeia a obra original em termos de qualidade, primando pelo equilíbrio perfeito entre nostalgia e modernidade.

Coisas legais
– Nostalgia na medida, sem deixar de lado novidades
– Os novos locais explorados da Terra do Nunca são criativos e diversificados
– A história consegue ser bem ousada sem prejudicar de maneira alguma a linha do tempo estabelecida por J. M. Barrie no livro original

Coisas chatas
– A resolução para o mote da aventura é coerente, mas soa simples demais perante o problemão que a autora criou
– A aparição de Sininho, mais ao final, é meio forçada

PETER PAN ESCARLATE
Autora:
Geraldine MacCaughrean
Ilustrações: David Wyatt
343 Páginas
Editora Salamandra

One Comment

    Johnk345

    I truly appreciate this article.Really thank you! Fantastic. dakeeffdecbg

    23 jul 2014 | Responder

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