Peter Pan

Personagens do Sítio do Picapau Amarelo conhecem Peter Pan em edição histórica

peter2 (1 of 1)Falar sobre a história de Peter Pan poderia parecer “chover no molhado”, afinal, há várias versões do personagem por aí. Mas, ao retirar a edição amarelada da estante, percebi que a memória de infância estava certa: a adaptação de Monteiro Lobato, publicada na década de 1950 pela Brasiliense, é divertida, instigante e, ao menos para mim, uma das mais marcantes. Tudo bem, o original de J. M. Barrie é um clássico, mas a linguagem absurdamente clara de Lobato e os bons e velhos personagens do Sítio do Picapau Amarelo são capazes de dar humor extra à trama.

A graça já começa na escolha do título pela turma do sítio. Quem menciona a existência de Peter é o gato Félix, mas ninguém, nem a Dona Benta, “a velha mais sabida de quantas há”, o conhecia. Envergonhada do “desconhecimento”, a contadora de história faz uma encomenda em São Paulo e recebe o livro em inglês. O próximo passo de Dona Benta é contar as aventuras da Terra do Nunca para uma plateia ansiosa, formada por Emília, Narizinho, Pedrinho e cia. Assim, o leitor acompanha uma história dentro de outra história, numa narração interrompida pelos comentários dos espectadores, muitos feitos pela insolente Emília que, mesmo com o passar dos anos, continua aguda e com um tom “politicamente incorreto”, principalmente quando se dirige à Tia Nastácia.

São com estas duas personagens que acontece uma “travessura” inspirada em “Peter Pan”, quando Emília corta, às escondidas, a sombra de Tia Nastácia com a tesoura. Há ainda outros detalhes saborosos, como as explicações de Dona Benta de termos em inglês e referências, feitas por personagens, a nomes conhecidos da História, como a Joana d’Arc, chamada de Joana do Arco por Tia Nastácia. Mesmo com poucas gravuras na edição – todas em preto e branco – a leitura vai rápida nas mais de 90 páginas.

Coisas legais

– O texto de Lobato é claro e prazeroso

Coisas chatas

– Esta discussão sobre o autor já é conhecida, mas leitores podem se incomodar com palavras supostamente racistas no texto, principalmente em diálogos de Emília com a Tia Nastácia. Para quem tiver interesse, há um artigo interessante aqui.

PETER PAN
Autor: Monteiro Lobato
Editora Brasiliense
96 pág